Entre compromissos, consegui um tempo para percorrer a rua Augusta. Um quilômetro para cima, um para baixo. Seria preciso percorrê-la muitas vezes. Sobretudo de noite.
Meus olhos não conseguiram decifrar o enigma da Augusta. A impressão é que está pintada para morrer e ressuscitar.
A arte de rua tomou conta dos prédios mais velhos que começam a ser tombados. Em alguns lugares, os novos já estão sendo erguidos e os espaços vendidos freneticamente.
Fotografei tudo o que pude e vou continuar a fazê-lo porque sinto que, daqui a alguns anos, não me lembrarei mais da Augusta.
Com algumas vindas a São Paulo, concluirei o trabalho , quem sabe, em seis meses. A noite sempre será mais difícil. Mas não tanto como no passado.
Lembro-me de um trabalho que realizei com os travestis da Glória no Rio. Usava ainda filmes e as fotos preto e branco ficaram granuladas, dando uma certa dramaticidade às cenas.
Com o digital, talvez capture a atmosfera com mais leveza.





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