Para quem viveu o século passado, o dia da Independência ganha contornos diferentes. Antes, a discussão era sobre a independência em relação aos países ricos, principalmente Estados Unidos.
Hoje, não há mais dúvida sobre a autonomia brasileira. A política externa é uma prova disso. Nem sempre concordo com ela. Mas é desenvolvida livremente pelo governo. Como a independência não é a única qualidade julgada, uma decisão independente pode ser boa ou ruim, de acordo com as circunstâncias.
O tema das manifestações foi a corrupção. Os olhos se voltam para dentro do sistema político e apontam seu grande problema. Só em Brasília, 25 mil pessoas protestaram.
O movimento passou pelo teste inicial. De um modo geral, quando é pequeno ou um pouco ingênuo, é imediatamente ridicularizado pela imprensa oficial e seus inúmeros representantes infiltrados.
Com a disposição de luta de setores da sociedade será possível mudar não só no sentido de punir quem não está sendo punido. Mudar no sentido de corrigir alguns fatores que favorecem a corrupção. Uma reforma política, com voto distrital, pode ser o horizonte dessa mudança maior.
Por enquanto é apenas o começo. Já vi grandes lutas começarem com manifestações de vinte pessoas. Os números de ontem foram mais alentadores. Sozinhos, os políticos jamais mudarão mesmo se forem pressionados pela imprensa.
Gente na rua é a única forma de resolver certos problemas. Basta olhar o mundo em torno de nós para constatar essa realidade.



Comment
Caro Gabeira,
Gosto do voto distrital, principalmente por aproximar o eleitor do representante, e por eliminar a excrescência dos deputados sem voto. Por outro lado me preocupa que nesse tipo de sistema políticos que representam idéias reais que estejam geograficamente difusas tenham menos chances: não há “bairros ambientalistas”, por exemplo. No fim não ficaríamos com um congresso resumido a disputa de verbas por regiões? (o que já seria um progresso em relação ao Congresso atual, de qualquer forma).