Com a morte de Millor Fernandes, o Brasil perde um dos humoristas mais inteligentes e um intelectual brilhante em todos os gêneros que utilizou.
Eu sou a soma do quadrado dos catetos,mas você pode me chamar de hipotenusa- dizia uma de suas piadas.
Lembro-me de ter visitado apenas uma vez seu estúdio no posto 6. Fui seu leitor desde menino no Pif-Paf, do revista O Cruzeiro e procurava ver todas as suas peças de teatro.
Millor foi casado com Marina Colassanti, num período em que trabalhávamos eu e ela no Caderno B do Jornal do Brasil. Ele era um intelectual independente, alheio a partidos e ideologias políticas. Mas quando a ditadura se instalou, Millor mostrou no que realmente acreditava: a liberdade. Ele foi um dos inspiradores da imprensa alternativa que, entre outros, produziu O Pasquim.
Quando morre um intelectual costumamos dizer que o Brasil perdeu uma grande inteligência. Esta frase é autêntica quando da morte de Millor Fernandes.
Grande tradutor, ele enriqueceu o teatro brasileiro e era uma centelha de inteligência e ironia em todas as publicações em que colaborou.
Bastava ver o nome de Millor para ter vontade de ler o o texto e ver os desenhos. Era a certeza de um tipo do riso que nos tornava mais humanos.
Com a chegada da televisão, ganhou espaço no Brasil um humor mais popular e que, em muitos momentos, creio, descambou para a vulgaridade.
No momento em que o país se torna mais interessante para o mundo, valeria encontrar um bom tradutor para seus textos, como ele o foi para tantos escritores de lingua inglesa. O talento de Millor tem o potencial de cruzar fronteiras.



2 Comments
A hipotenusa é a _raiz quadrada_ da soma dos quadrados dos catetos.
Olá Gabeira,
Se no Brasil há um gênio, Millôr “era” o cara!