Foi a primeira visita ao Porto de Açu. Cheguei a ele por um curioso caminho. Seguia a trilha do minério de Conceição do Mato Dentro que seria enviado num tubo por um trajeto de 525 quilômetros.
Os mineiros sempre pensaram numa saída para o mar. Na década de 1950, um político chamado Nelson Thibau fazia campanha instalando um navio na principal praça da Belo Horizonte. Prometia levar Minas ao mar, ou o inverso, dependendo da empolgação do momento.
Os minérios conseguiram o caminho direto, os mineiros ainda não. Queria conhecer o Porto de Açu para responder à pergunta: como a montanha de Conceição do Mato Dentro chega ao mar e acaba na China?
Descobri que não é caminho fácil. Tanto Minas como o mar precisam se adaptar a esse encontro, que foi possível graças à crescente demanda pelo minério brasileiro na Ásia.
O superporto de Açu fica em São João da Barra, norte do estado do Rio de Janeiro. A construção é capitaneada pelo bilionário Eike Batista, com investimentos de US$ 40 bilhões.
A imagem que tinha do superporto era da ponte e do píer, projetando-se para o mar e apontando para o horizonte. É possível imaginar alguns navios de grande dimensão, com capacidade de 400 mil toneladas, atracados nos berços do cais principal. E ainda há outro, menor, por onde pequenos navios chegam por um canal.
Mas o projeto não vai apenas levar Conceição para a China. Ele é muito mais amplo, pois numa área de 90 quilômetros quadrados acolherá duas siderúrgicas, um estaleiro, indústria de automóvel e empresas de logística para o petróleo, já na fase do pré-sal.
O jornalista Fernando Gabeira passa, a partir de hoje, a colaborar com três reportagens mensais para o Diário do Comércio.



Leave a reply