O governo do Rio decidiu, finalmente, levar a sério a questão de segurança em Niterói. Vai deslocar para lá duas companhias avançadas da PM, o que significa um aumento de 200 soldados.
Pela primeira vez, o Secretário José Mariano Beltrame, reconheceu que as quadrilhas expulsas das áreas de UPPs podem estar se espalhando pelo estado.
O governo hesitou em admitir esta evidência durante algum tempo. Talvez porque quisesse fixar a ideia das UPPs como uma solução perfeita.
Mas elas são apenas uma boa solução. Era necessário formular um plano de segurança para todo o estado. E nesse ponto, a hesitação ainda não foi vencida.
A tática tem sido a de enviar mais policiamento para os lugares que apresentam problemas. É uma forma de correr atrás do prejuizo. A curto prazo é o que se pode fazer.
Corremos o risco de constatar, no futuro próximo, que não há soldados para uma ocupação territorial tão extensa.
Nesse momento então, seremos forçados a pensar em mecanismos de segurança que não dependam tanto da presença física de soldados da PM.
Alem da crise em Niterói e São Gonçalo, a semana apresentou outros dados inquietantes sobre segurança. Na Cidade de Deus e na Mangueira, ocupadas por UPPs ,comerciantes fecharam as portas por ordens de traficantes. Isto significa que, apesar de terem perdido poder territorial, os traficantes continuam a dominar psicologicamente o espaço físico que perderam.
É natural, no princípio, que as pessoas tenham medo do tráfico porque nunca sabem quanto tempo vai durar a ocupação policial.
Acontece que a UPP na Cidade de Deus já é antiga. Era preciso reexaminar a ocupação daquela área. Buscar algo mais para consolidar a posição.
Os problemas nas comunidades ocupadas tornaram-se secundários, diante da onda de violência nos lugares onde não existem UPPs.
Desde o princípio, reconhecendo a importância das UPPs e do modelo desenvolvido pelo Brasil no Haiti, defendo uma visão de conjunto para o problema da segurança.
Se forem vistas como solução mágica, as UPPs correm o risco de não resolver o problema dos lugares que ocupam e, alem disso, agravar o das áreas onde há escassez de policiais.
A decisão de aumentar os efetivos em Niterói com duas companhias avançadas era necessária e inevitável.
No entanto, a crise de segurança naquela cidade, deveria estimular um debate mais amplo. Os defensores emocionados das UPPs não precisam temer esse debate. Elas podem funcionar melhor ainda.
Nunca se pode subestimar certas expressões populares como o buraco é mais embaixo. Quase sempre, é mesmo.



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