A manutenção da base brasileira Comandante Ferraz, na Antártida, nunca foi ponto pacífico. Ela dependeu em vários momentos de emendas parlamentares. O que é legítimo.
Acontece que as emendas eram sempre destinadas a fazer a Base sobreviver a cada ano, mas não garantiam estabilidade nem horizonte de planejamento.
Técnicos, como Jefferson Simões, do Centro Polar e Climático de Universidade Federal do Rio Grande do Sul, acham que havia muita gente na base do momento do desastre. A ocupação era de 60 pessoas, para um número desejável de 40.
O naufrágio de uma bata, com 10 mil litros de óleo, em dezembro também mostra nossas dificuldades no território antártico. O acidente não foi noticiado no Brasil. Nesse ponto, não só a Marinha como todos os cinco ministérios responsáveis falharam.
Dez mil litros de óleo, é importante dizer, não significam um desastre de proporções, em caso de vazamento. Mas numa região tão delicada, sob governança mundial, é necessária toda a transparência.
Se o Brasil apenas escondeu de sua opiniao pública é um erro. Se escondeu também dos parceiros antárticos, aí já é, realmente, é um desastre maior.
Acidentes desse tipo precisam ser comunicados. Eles são enfrentados com cooperação. Como os outros podem cooperar se não foram informados?
É hora do país assumir nossa base na Antártida dotando-o do dinheiro necessário. Não é uma soma fantástica. O trabalho custava até agora R$ 15 milhões por ano.
É preciso calcular o investimento na reconstrução das instalações destruidas, cerca de 70 por cento do total, e um plano de crescimento. Há muito o que aprender ali e é fundamental que o Brasil tenha os pés nesse território, vital para o futuro do planeta.



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