Fui ontem à Assembleia do Rio ver a votação do aumento dos policiais. A possibilidade de uma greve é real, uma vez que reunião para discutir isto na sexta feira.
Já sabia com antecedência que não haveria votação pois os deputados apresentaram 75 emendas. Talvez só amanhã cheguem a um acordo, se chegarem.
Os policiais argumentam que, na realidade, este aumento é apenas a execução de um projeto aprovado no ano passado. Não traz as melhorias que necessitam.
Ao contrário do que sugeria o aparato militar na porta, não houve nenhum tipo de incidente. Apenas dois manifestantes com megafone, alertavam os transeuntes sobre o que se passava lá dentro.
O calor ontem estava tão forte que resolvi ouvir os discursos em casa, pela tevê. Quando liguei, o plenário já estava vazio.
Sai com uma impressão de que não se repetem aqui os incidentes da Bahia. A dificuldade é semelhante ,
mas a experiência de Salvador amadureceu a todos.
Aliás, a foto do general Gonçalves Dias chorando e recebendo um bolo de aniversário dos grevistas é algo surpreendente.
Talvez seja uma informalidade brasileira que ficará na história. Como interpretá-la?
O general que comanda as forças de repressão à greve, ganha um bolo de aniversário, é abraçado pelos grevistas e chora.
Lembrei-me do Fado Tropical de Ruy Guerra e Chico Buarque de Holanda. É uma referência para entender o que se passou. Não levem ao pé da letra, porque não houve violência por parte do Exército na Bahia. Mas leiam apenas uma das falas na canção de Chico e Rui Guerra:
Sabe, no fundo eu sou um sentimental. Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo ( além da sífilis, é claro). Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar, o meu coração fecha os olhos e sinceramente chora…”



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