Ontem foi o Dia do Fotógrafo, hoje é meu dia de folga. Em 19 de agosto, 172 anos atras, Luis Daguerre patenteava seu equipamento para gravar fotos. Falo dos fotógrafos para celebrar sua data. Um dos melhores que conheci, no princípio dos anos 60, foi Alvimar de Freitas. Trabalhávamos juntos, todas as manhãs, para a Última Hora, de Belo Horizonte.
Alvimar acariciava sua Rolleyflex, enquadrava o tema, olhava no visor e começava a cantar. Uma centelha de emoção parecia entrar pela lente e acionar o seu canto.
Alvimar experimentava foto sem flash, com luz natural. Queria mais realidade. Já havia uma grande geração de fotógrafos nos 50 no Brasil. Eram os da revista O Cruzeiro, como José Medeiros, alguns vindos do Ceará :Luciano Carneiro e Luis Carlos Barreto.
Daquele tampo para cá, a fotografia não parou de crescer. A revista Senhor publicou ensaios de Flávio Damm, Armando Rosário. A Realidade apresentava Cláudia Andujar, David Zwing e o próprio Valter Firmo, vindo de do JB, que abrigou uma safra extraordinária; Alberto Ferreira, Evandro Teixeira, Alberto Jacob.
A foto no jornalismo conta apenas uma parte da história. Recentemente, na morte de Thomas Farkas, muitos lembraram do foto clube e sua importância para o avanço da arte no Brasil.
Alguns fotográfos brasileiros têm renome internacional, como Sebastião Salgado e Miguel Rio Branco, este ultimo associado à agência Magnum.
Há todo um grupo de grandes fotógrafos de publicidade de primeiro time mundial . Tive a oportunidade de fazer o perfil de alguns para a revista Interview. Um deles foi de Luis Tripoli.
E há ainda os fotógrafos de guerra, secas, revoluções. Dois deles morreram na Líbia: Tim Hetherington e Chris Hondros. Estão para o nosso século como Goya estava para o seu: testemunham grandes tragédias.
Alguns sobrevivem nesse perigoso ofício como James Nachtwey . Um indicio de que algo sinistro está acontecendo num país, como agora na Síria, por exemplo, é a proibição da entrada desses fotógrafos .
Sob muitos aspectos a fotografia ficou mais simples, a tecnologia evoluiu e milhões de pessoas têm acesso aos pequenos aparelhos compactos.
Mas até mesmo o salto tecnológico que atraiu novos amadores pode ser creditado parcialmente a eles: os engenheiros incorporam nos programas um aprendizado que nasceu dos erros e acertos do fotógrafo. A máquina devorou um pouco do que ele sabe de cor. Colocou a técnica mais elementar ao alcance de todos que apertam os botões.
As câmeras modernas não inventaram um botão para o talento. Ainda assim, com tantos grandes nomes em cena e com a multiplicação de interessados, a tendência é produzir, cada vez mais, boas novas.



Comment
[…] Published Dia do Fotógrafo. […]