LIMA – Keiko Fujimori e Ollanta Humala subiram o tom das críticas e encerraram ontem a campanha do segundo turno das eleições presidenciais peruanas com comícios em Lima, distantes apenas algumas quadras um do outro. A deputada, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, e o candidato nacionalista chegarão à votação de domingo em empate técnico, segundo pesquisas.
Além dos últimos movimentos da campanha, Keiko e Humala protagonizam também uma batalha de denúncias, chamada pelos peruanos de “guerra suja”. Ontem, o nacionalista voltou a acusar a adversária de ter sido cúmplice das violações de direitos humanos no governo do pai, enquanto ela acusou o esquerdista de envolvimento com o narcotráfico.
Discursando na Praça Dois de Maio, tradicional palco de concentrações de trabalhadores, Humala tentou envolver Keiko nas denúncias de esterilizações forçadas de mulheres pobres durante o regime do pai, dizendo que os responsáveis cercam atualmente a candidata. “Não escutemos as desculpas de Keiko Fujimori pelas esterilizações forçadas. Há um dano irreparável, que não pode ser solucionado em uma campanha eleitoral”, disse Humala.
A um quilômetro dali, na Praça Bolognesi, Keiko relembrou a proximidade do adversário com o presidente da Venezuela. “Humala tenta se afastar da imagem de Hugo Chávez, mas não pode fazê-lo, pois deve muitos favores a ele”, acusou a deputada, que pediu ainda esclarecimentos sobre a relação do rival com o narcotráfico.
De acordo com especialistas, os discursos na reta final da campanha podem ser decisivos por causa do empate técnico apontado pelas pesquisas. Segundo sondagem do instituto Ipsos Apoyo, Keiko tem uma ligeira vantagem, com 41% das intenções de voto contra 39% para Humala.
Ontem, os diretores dos cinco principais institutos de pesquisa do país informaram que em nenhuma das sondagens realizadas a vantagem entre um e outro candidato é superior a dois pontos porcentuais. A partir do encerramento da campanha, a divulgação de pesquisas eleitorais no Peru é proibida por lei.
Polarização. O quadro político peruano está rachado entre esquerda e direita. Liberais, como o Prêmio Nobel de Literatura Mário Vargas Llosa, o ex-presidente Alejandro Toledo, cientistas políticos e alguns intelectuais manifestaram apoio ao esquerdista Humala.
Ontem, ratificaram o apoio a Keiko o economista neoliberal Pedro Pablo Kuczynski, o ex-prefeito de Lima Luis Castañeda, os ex-ministros Mercedes Aráoz e Alfredo Ferrero e o economista Hernando de Soto, autor de livros que falam sobre a vitalidade do capitalismo nas comunidades mais pobres.
Tanto Keiko quanto Humala prometeram iniciativas em favor dos 10 milhões de peruanos que estão abaixo da linha da pobreza. No campo da segurança, ambos garantiram que lutarão contra o narcotráfico, reduzirão a produção de drogas e incentivarão o cultivo alternativo à coca, programa que já vem sendo desenvolvido no país com elogios da ONU.
Ontem, a Justiça peruana adiou a decisão sobre o habeas corpus para Alberto Fujimori, condenado a 25 anos de prisão. A própria Keiko havia pedido que a decisão fosse postergada para depois da votação.




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