De novo subindo a serra fluminense. Sol límpido, céu azul com manchas brancas. Como estará Friburgo depois que os documentos da prefeitura foram levados pela Policia Federal?
Eram documentos relativos aos gastos com obras no valor de R$10 milhões. Em Teresópolis, onde as suspeitas contra o prefeito são muito fortes esta captura de documentos essenciais não foi possível.
Visitei inicialmente a igreja de Santo Antônio e vi que, lá, com ajuda da Fundação Roberto Marinho, as obras estão andando. Santo Antônio e outros santos já não estão cobertos de barros. Há rombos nos vitrais mas isso ficará para o fim. Estrutura de metal sustentam a igreja e as obras foram encomendadas à uma empresa especializada em restauração.
Na porta da Câmara Municipal encontrei manifestantes do Movimento Absurdo (WWW.movimentoabsurdo.blogspot.com). Eles se formaram como movimento através das redes sociais. Eram cinco e traziam megafone, faixas e cartazes.
Num dos cartazes, uma menina de uns oito anos aparece com os dizeres: eu sei o que vocês fizeram no último verão.
Mas o principal da propaganda era impedir uma CPI chapa branca. Exatamente o que aconteceu em Teresópolis e desarmou o movimento.
Os vereadores já aprovaram a CPI mas passaram o dia discutindo outras coisas, tentando vencer pelo cansaço as 50 pessoas que vieram pressioná-los.
A correlação de forças é favorável ao governo, oito vereadores contra quatro da oposição. Dificilmente, não sairá uma CPI chapa branca.
Mas o nível de consciência político na cidade cresceu. O prefeito Dermeval Barboza acha que está havendo um equivoco e que todas as contas estão em ordem.
Por que não as entregou ao Ministério Público? Ele afirma que trocaram nove ofícios mas que os pedidos eram irrealistas quanto aos prazos.
Mas ele admite que parte da sociedade desconfia de corrupção. Alem disso, há outros problemas sérios no processo de reconstrução.
Revisitei o bairro de Duas Pedras e os prédios de cabeça para o ar. Havia novidades nos escombros: um carro preto que estava sob uma estrutura de cimento que se fragmenta.
O prefeito quer retirar os moradores. Uma delas, Maria Silva, aproximou-se para me dizer que não sairá de jeito nenhum, pois seus pais moraram ali 60 anos. Os escombros continuam no mesmo lugar e as chuvas de verão podem destruir de novo o bairro.
Em Córrego Dantas onde as máquinas trabalharam o acesso ficou mais fácil. Mas as ruínas estão intocadas. Algumas pontes foram consertadas em emergência e estão para cair de novo, se não forem reconstruídas.
A grande obra que o prefeito promete é a construção de 54 casas populares. Mas o processo de rcuperação de Friburgo está precisando de muito mais.
Dois movimentos novos, Absurdo e Plural me passaram seus dois manifestos e o grupo de 50 pessoas na platéia da Câmara parecia muito consciente do papel de cada vereador. Na verdade, eles fizeram com nome dos cinco que foram contra a criação de uma CPI.
Descia a serra no fim da tarde, um pouco preocupado. Os políticos têm a fórmula para se proteger. Luta-se contra uma CPI e se ela surgir a tarefa é controlá-la.
Vivendo isso na escala da cidade é muito pedagógico. Lido nas nas páginas dedicadas à Brasília fica meio abstrato. Será que vão desanimar com a clássica jogados dos governos?
Numa carta aberta, o movimento Plural traça um quadro mais grave . Acha que a crise da cidade é muito profunda que ainda há bairros sem luz e que uma epidemia dengue é provável no próximo verão.
São apenas seis meses, estamos no inverno, mas o que se discute muito é o que fizeram no verão passado e o que deixaram de fazer para o verão que chegará nos próximos meses.








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