O que está acontecendo no Rio, em termos de segurança, não é nada de especial. Mas houve uma propaganda tão intensa em torno das UPPs que as pessoas chegaram a pensar que todos os problemas estavam resolvidos.
E não estavam. Os fatos da semana revelam. Numa área onde havia UPPs, um hotel cinco estrelas foi assaltado. Executivos da Nike e alguns delegados dos Jogos Militares estão entre as vítimas.
Ontem, aconteceu um fato mais surpreendente. Cinco mil reais foram roubados da gaveta do diretor do Departamento Geral de Policia Especializada, delegado Márcio Franco.
E a própria policia revelou que o menino Juan Moraes, objeto de intensa campanha dos movimentos pelos direitos humanos, foi morto pelos PMS, com bala de fuzil, e não há sinais de confronto na operação.
As UPPs são admiradas pela imprensa e classe média do Rio. Elas mesmas, apesar de se apresentarem como solução, começam a criar problemas.
Uma reportagem de O Globo mostrou que suas estruturas de lata custam mais que estruturas de alvenaria. E a Veja mostrou que a empresa incumbida de construir não só UPPs como UPAs, a Metalúrgica Valença, é uma empresa de fachada.
A empresa ganhou um terreno , simulou a construção da fábrica, mas produz mesmo em outro lugar. O objetivo da manobra é evitar o pagamento de uma parte do imposto.
Impossível que depois de tanto comprar estruturas de lata, o governo não tenha visitado o lugar onde são feitas, nem inspecionado o processo.
O vice-governador Luis Fernando Pezão, também muito admirado pela sua capacidade de trabalho, aparece, hoje no portal da Veja como amigo do dono da empresa, Ronald de Carvalho, que, apesar de não ter construído a fábrica, fez várias doações para campanhas políticas.
Quem conhece bem toda essa história são alguns parlamentares do Rio. Um deles apresentou a emenda colocando Valença na área de isenção. Em seguida, a produção que se dá em outro lugar, passou a ser considerada como made in Valença. Milhões de reais que foram sonegados com a operação.
O deputado Luiz Paulo Correa da Rocha, PSDB, está utilizando o recesso para fazer um estudo das isenções fiscais no governo Cabral. Espero que suas conclusões saiam logo.
Considerando as características do Rio, uma sólida aliança em torno do governo, não vai acontecer nada em termos de punição. Mas se, pelo menos, for estancada a sangria de dinheiro público, será uma vitória.




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caro gabeira, vc faz falta nos representando no plenário. as propagandas governamentais mostram tudo lindo, tudo novo, deviam ser retiradas do ar de tão enganosas. começou no governo federal com essa ladainha insana de novo brasil, o governador do estado do rio e o prefeito da cidade do rio devem ter achado genial e copiaram a fórmula infame. a capital do rio está encardida [olhe as pedras portuguesas, coitadas, já são cinza e não mais branquinhas], sua estrutura não tem nada de maravilhosa. mas, vamos que vamos, como se uma ação isolada resultasse em solução para tudo, achando bacana que há amigos entre as esferas governamentais, como se não houvesse um pacto federativo. celebramos a decadência, nos apequenamos no buteco, falando mal do chefe bem alto pelo celular no ônibus, jogando lixo no chão [afinal, o gari limpa], sem percepção de nossa responsabiliade, nossos direitos e deveres, sem noção de que permitimos que ôtoridades que elegemos deformem a democracia e distorçam a cidadania. abraços