O fim de semana está terminando com as mortes na fronteira de Israel , no dia do aniversário da fundação do país, data que os palestino chamam de Nakba, palavra árabe para catátrofe.
Acabaram os campeonatos estaduais de futebol e o noticário, como não poderia deixar de ser, está repleto de grandes loucuras individuais.
Refiro-me às duas que me impressionaram: a prisão de Dominique Strauss Kahn, em Nova York, e a de um advogado brasileiro Rodrigo Moreto Cubek que exibiu uma foto da Virgem Maria dentro do maior templo muçulmano do Paquistão.
Só a magia de um romance fantástico poderia colocar os dois no mesmo espaço.. Para o diretor do FMI , cosmopolita e conhecedor dos atritos religiosos no mundo, o gesto de Rodrigo deve parecer uma loucura.
Mas para um advogado que ouviu a voz de Cristo, determinando que exibisse a foto da Virgem Maria, jogar-se nu contra a camareira de hotel deve ser uma loucura mais séria ainda.
Em termos de importância são dois fatos incomparáveis. Mas ambos atravessaram a fronteira da lucidez e nos recordam que a imprevisibilidade não está apenas nos grandes fatos históricos mas também dentro do inconsciente.
O advogado brasileiro ouviu a voz de Cristo e o delirio talvez seja sua salvação. Será considerado maluco e deportado para o Brasil. Seu acerto de contas deverá ser com o próprio Cristo, que, segundo ele, o lançou na aventura.
Já o diretor do FMI não tem o apoio do sobrenatural. Não pode recorrer a vozes. Será defendido por um caro advogado profissional e terá de provar sua inocência.
Dominique Straus-Khan estava nu. Era diretor do FMI, favorito nas eleições francesas, e não havia ninguém protegendo a porta de seu quarto.
Rodrigo poderia entrar ali, na suite do Sofitel, e mostrar a foto da Virgem. Mas um estava em Islamabad, outro em Nova York. A loucura do brasileiro poderia ter salvo o FMI. Mas ainda não foi dessa vez.



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