Os primeiros três aeroportos brasileiros foram privatizados. Isso traz a esperança é de melhores serviços.
Além da esperança, por via das dúvidas, contratos de concessão prevêem multas para a ineficácia.
Assim como nas estradas rodoviárias, a melhora do serviço tem uma contrapartida nos preços.
Na semana anterior à privatização, reclamei com um amigo do preço nos bares dos aeroportos.
Paguei R$ 23 por um sanduíche e um suco, o valor de um almoço num razoável restaurante a peso.
-Há perigo do preço dobrar disse ele, que é especialista em transporte aéreo.
Fiquei assustado. O pão de queijo custa R$3 no Tom Jobim, o dobro do que pago nos bares da cidade. Daqui a pouco, levaremos um lanche de casa.
Sou contra de tabelar os preços, porque não funciona, nem é legal. O aumento de passageiros nos aeroportos brasileiros se deu com elevação do nível de renda. O projeto é incluir ou criar barreiras?
Perguntei ao especialista se não havia uma forma de estimular a competição nos bares e lojas do aeroporto.
Era preciso- diz ele- explorar. comercialmente, o entorno do aeroporto, como se fosse uma pequena cidade.
Mas seu otimismo era moderado. A tendência empresarial é a de tentar receber de volta, com relativa rapidez, o dinheiro investido.
A concessão dos três primeiros aeroportos custou R$24,5 bilhões e ainda há o compromisso de R$16,2 bilhões em investimentos.
Toda essa grana vai repercutir no cafezinho e pão de queijo. E o que é pior: no preço das passagens, segundo as companhias aéreas.
O aeroporto de Brasília, por exemplo, cobrará uma taxa de conexão, o que significa um custo a mais para quem cruza o pais e faz escala na capital.
Segundo o especialista, os preços cobrados no aeroporto são chamados preço de oportunidade. Os consumidores têm pouca escolha.
Restaurantes, livrarias, empresas de taxi, lojas de suvenir, toda uma cadeia comercial vai ser sacudida pelos novos tempos.
O Brasil está diante de grandes eventos internacionais. O presidente da EMBRATUR, Flávio Dino, disse que a estratégia brasileira é evitar que pais tenha fama de caro.
É preciso dizer isto aos consórcios vencedores. Milhares de estrangeiros visitarão o Brasil num momento em que as empresas correm atrás do retorno do investimento nos aeroportos.
Será que o governo dirá isso? Ou ele mesmo entrará na corrida pelo retorno, uma vez que financiou 80 por cento dos investimento?
Resta torcer por uma saída equilibrada e pedir um cafezinho, enquanto é tempo.



2 Comments
Pessoalmente acho que comprar qualquer coisa no aeroporto é uma mordomia. Ainda nasci nos tempos em que viajar de avião não era pra qualquer um, e de fato ainda não é.
De mais em mais, prefiro que o aeroporto ainda seja um lugar onde as coisas sejam caras, mas funcionem direito. Não que isso sempre aconteça, mas quem sabe agora não estamos indo para a direção do bom funcionamento das coisas?
Nem que o pão de queijo vá custar 4 reais…
[…] que vendem, seja o preço médio cobrado por um produto. Imaginem um policial chegando para um lanchinho em um aeroporto. Seria cadeia para a garçonete. Na […]