O Senado decidiu suprimir a cassação de Fernando Collor nos seus painéis que contam a história do país e foram exibidos no longo corredor, chamado Túnel do Tempo.
Sarney explicou que o episódio não tem muita importância, foi acidente que nem deveria ter acontecido. Isso vai lhe valer algumas flexadas críticas na pele de elefante, nada que o incomode de verdade.
Por influência do bigode, alguns comparam o gesto de Sarney ao de Stalin, na censura a fatos históricos. Mas a comparação não é assim tão precisa.
Stalin suprimia os adversários que se destacaram, roubando o lugar que merecem na história da revolução russa. Sarney está protegendo um aliado, suprimindo do túnel do tempo algo embaraçoso em sua carreira.
Stalin queria expulsar do olimpo revolucionários que poderiam desafiar seu poder. Sarney quer jogar no limbo um episódio bem sucedido na luta democrática moderna.
Há uma lógica implacável na frase: foi um acidente que nem deveria ter acontecido. Não quer dizer apenas que acidentes como o da queda de Collor devam ser evitados.
Quer dizer também que são raros, desaconselháveis e deveriam ser suprimidos. Nesse ponto, Sarney tem razão. Renan Calheiros foi denunciado com abundância de fatos e nada sofreu. Ele mesmo Sarney ficou na corda bomba e não caiu, na mais recente crise do Senado. Nesse raciocínio, a vitória popular é uma exceção abominável.
Sob a ótica da história, a censura de Sarney é mais suave do que a de Stalin. Este queria forjar um mundo construído à sua semelhança, daí as marretadas para afastar do caminho quem não se adequasse.
Sarney quer apenas proteger um aliado que também é senador. E fazendo isto, sinaliza que a tática é a de proteger a todos que se metem em enrascadas.
É como se um fosse um censor federal preocupado com a autoria nas mudanças históricas, e outro o censor municipal interessado apenas em defender sua panelinha. Em alguns casos, como a censura ao Estadão é um movimento de proteção familiar.
Se cada época tem o bigode que merece, Brasília é um consolo perto das grandes convulsões russas do século passado. É apenas uma cidade do interior, em que políticos sem ambições históricos querem enriquecer e viajar com os netos para a Disneylândia, comprar casas, fazendas e a último versão do Ipad.



4 Comments
Eu, tenho memória, não esquecerei que eu era rico, e depois do “governo” collor, fui à falência!…
O que lembro-me é que morreram várias pessoas nas filas dos hospitais da rede pública. Enquanto, com às mãos sujas de sangue de inocentes, alegremente na casa da Dinda, com torneiras de ouro, reinava à paz., e acontecia à reforma da casa. Ficou muito linda à casa, às custas do sangue dos brasileiros…
Então, esquecer esse episódio, só se tivessem adestrado-me a dar à pata!…
Agora, com esse episódio do Sarney, com sua declaração desastrosa do episódio, distorcendo, o distorcido…
E assim vão esses “homens”, querendo serem esquecidos pela à história, usando de todos os artifícios, e subrestimando à inteligência do povo!…
Um absurdo. A familia Sarney é uma das piores coisas criadas no Brasil. Parece que a política neste país funciona como um grande ímã que atrai todo o lixo humano da sociedade brasileira.
Gostei muito deste texto, Gabeira. Trabalho na revista digital Barrazine, voltada para o público da Barra da Tijuca, principalmente, e que conta com mais de 25 mil page views/dia. O senhor permite que eu o publique este artigo integralmente?
Desde já, grato pela atenção,
Seu eleitor, Ayrton Gil
http://www.barrazine.com.br/
[…] Sarney- Stalin, um bigode dois estilos […]