A Presidente Dilma lançou hoje uma proposta de Constituinte exclusiva para a reforma política.
No blog anterior, Navegando na neblina, vislumbrei essa possibilidade e tenho mencionado o caso da Islândia.
Acontece que a Islândia fez toda uma nova Constituição. Tudo indica que fazer apenas uma reforma parcial, pode ser inconstitucional.
Que um individuo examine esta possibilidade é compreensível. Mas a presidente surgiu com ela como se tirasse um coelho da cartola. Isso mexe com toda a vida do país, ela deveria fazer isto depois de uma ampla consulta.
É contraditório que se apegue a partidos mercenários pensando nas eleições e agora se volte contra eles. Isso significa que não pretende ser candidata? Ou que apenas está lançando propostas no ar, para ganhar tempo?
Da mesma cartola, Dilma tirou outro coelho: a corrupção passa a ser crime hediondo. Sem dúvida, a corrupção, sobretudo na saúde, é uma forma de matar os outros.
Mas acrescentar um adjetivo ao crime não me parece a abordagem adequada para um problema tão complexo e culturalmente arraigado na vida política brasileira.
O crime hediondo me lembra os trens italianos: rápido, muito rápido e rapidíssimo. Quase nunca chegavam na hora mas iam radicalizando nos adjetivos.
O Congresso tal como é hoje não tem condições de fazer uma reforma política real. Uma constituinte apenas para a reforma parece inconstitucional.
Como sair desse novo nó?
Dilma apenas jogou a bola para o Congresso, sem conversar com ele.
Na Islândia, segundo um constituinte popular que visitou Porto Alegre, houve muito confronto entre a Constituinte e o Congresso. E o processo não foi dos melhores também por isso.
Lá, fizeram toda uma constituição, aqui as mudanças seriam apenas no sistema político. Mas as mudanças nessa área atingem os políticos e suas carreiras. Elas vão reagir a elas com seu mais poderoso instinto: o da sobrevivência.
Com a amplitude do movimento, talvez seja possível arrancar do Congresso, uma a uma as mudanças necessárias. E pela mesma razão: explorando o instinto de sobrevivência .
Quando as pessoas estavam atentas à para uma decisão – voto aberto para cassar deputado- todos menos três votaram sim.
Estavam assustados. Imaginem agora, como não estão.
É apenas uma tática possível, que considero a partir de minha experiência lá. É preciso apenas a meia dúzia de deputados interpretando a vontade popular e vigilância na votações.
São momentos de delicadas escolhas. Nunca me vi diante de uma situação assim. De certa forma, a Dilma atrapalha com a tática de tirar soluções da cartola.
Política e marketing não são a mesma coisa, sobretudo nos grandes momentos.
Os problema da corrupção e da da reforma política são de médio e e longo prazo, precisam de soluções muito mais amadurecidas.
A Copa do Mundo continuará em cena como um grande desafio. Durante todo o ano os estádios monumentais ficarão aí como a marca dos faraós que reinaram no Brasil nos tempos em que futebol era o ópio do povo.
As ondas de manifestações têm um fluxo e um refluxo, maré alta, maré baixa. Pelo menos foram assim quase todas as registradas na história.
É preciso encontrar soluções duráveis e não passes de mágica.

