Lula voltou ao centro da cena política. Era previsível que isto acontecesse numa crise. Ela veio rápida demais, na minha opinião. O Financial Times, por exemplo, acha o contrário. Na opinião do jornal inglês, a luta de mel do governo Dilma foi surpreendentemente longa.
A volta de Lula, no auge da crise, traz com ele toda a experiência que ganhou ao longo dos anos, administrando as confusões mais graves que envolveram o PT.
A primeira mensagem foi dirigida ao público que não acompanha noticiário de jornal, nem se interessa muito, pelo menos no momento, em fixar os limites de uma consultoria paga a Palocci.
Ao afirmar que Palocci era o Pelé da economia, ele estava justificando para aqueles setores a multiplicação dos bens do ministro. Os altos salários dos jogadores de futebol são algo bem familiar ao cotidiano. Quando se trata de um jogador extraordinário como Pelé, eles são naturais como o frio no inverno.
O outro lance da intervenção de Lula refere-se ao governo. O senador Magno Malta sintetizou sua impressão: Lula é jeitoso, não tem a síndrome de Mercadante.
Para quem viveu anos perto deles, a frase utiliza o nome de Mercadante mas pode estar falando de Dilma Rousseff.
Lula percebeu tudo . Não sei se foi num relance, ou se a prática de tantos anos já o faz trabalhar no piloto automático. Os senadores querem cargos e verbas, isso não é nenhuma novidade.
Mas é uma ilusão achar que querem apenas cargos e verbas. A prática política tem um importante componente subjetivo. Todos querem ser bem tratados, exceto um ou outro masoquista. Na cultura brasileira isso tem um peso tão grande que, na impossibilidade de dar o cargo ou a verba, um pouco de afeto atenua a reação negativa.
Finalmente, Lula tratou das acusações a Palocci. Em primeiro lugar disse que eram contra Dilma e que eram armação da imprensa. Isso remete , basta dar uma olhada na internet, ao combate de sempre: vencemos as eleições no voto, há uma imprensa golpista que não se conforma.
No fundo, talvez saiba que repórteres apenas buscam notícias. É fácil acusá-los porque nem sempre podem responder a um ex-presidente.
No primeiro dia, Lula mostrou inúmeras armas de seu arsenal. Ele intuiu que a crise é grave e saiu rápido em defesa de um governo que dá ainda seus primeiros passos.
O arsenal de Lula, por mais eficaz que seja, não consegue, no entanto, responder à pergunta elementar : como explicar a fortuna de Palocci?



3 Comments
É o Lula que não consegue se afastar ou é o PT que, precisa tanto da força de Lula, que não consegue se afastar dele?
Na nossa reública de Bananas ,todos estão coptados.O interêsse individual prevalece ao coletivo. Estamos em uma ditadura branca.Sem oposição.Sem imprensa .Sem parlamentar. E o nosso mais importante palestrante é Lula. Que não sabe nada,não vê nada e manda em tudo.Deve retornar a presidência como salvador do País. É lamentável.
O maior desafio da política moderna brasileira, é acabar com a política profissional, e o movimento Marina Silva provou que não é utopia. Necessitamos de instituiçoes fortes, e não políticos permanentes. O Lula ainda não se acostumou longe do poder. Difícil se acostumar.