Talvez faltem alguns dados, mas suspeito que o Irã será o cenário de um novo conflito internacional. Todas as indicações caminham para isso.
Aqui, o Irã lamentou a mudança de posição do Brasil e revelou uma certa nostalgia pelo governo Lula, que o tratava muito melhor do que o governo Dilma.
Mas isso é apenas um detalhe no quadro internacional que se torna mais grave, com o desdobramento da campanha eleitoral norte-americana e algumas atititudes desafiadoras do governo Ahmadinejad.
Entre elas, destaco a trajetória rumo à construção de mísseis de médio alcance e a ameaça de fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa um terço do petróleo do planeta.
Ontem, a Europa decidiu suspender a compra de petróleo iraniano, a partir de julho. Há pressão para que Coréia do Sul e Japão façam o mesmo, reduzindo em 20 por cento as vendas de Teerã.
Já existem navios de guerra nas proximidades do Estreito de Ormuz. De vez em quando, aparecem fotos das instalações nucleares iranianas que Israel, a qualquer momento, pode bombardear. Os cientistas nucleares iranianos são assassinados de forma misteriosa e só quem é muito ingênuo não vê nessas mortes o dedo de poderosas agências de inteligência, americana e israelita.
Pode ser que, de tensão em tensão, apareça uma solução política para a crise em torno do Irã. Pode ser até que ela perca importância. Mas no momento, com os dados que aparecem na imprensa internacional, a retórica dos candidatos americanos e do próprio Ahmadinejad, a sensação é de que 2012 será o ano de um conflito no Irã.
Ahmadinejad passou pelo continente para visitar a Venezuela, Cuba, Equador e Nicarágua. Simbolicamente, queria mostrar desenvoltura numa área marcada pela influência americana.
Em termos militares, dada à natureza e localização do conflito, os aliados do Irã pouco podem contribuir.
O Brasil ficou fora da visita de Ahmadinejad. Ficou fora também do grupo de pressão contra o Irã. Esta posição de Dilma pode nos dar uma chance de realizar a tarefa da diplomacia brasileira: a tentativa de solução política e pacífica para as grandes crises mundiais. Nos casos da Síria e da Líbia, o Brasil nem opinou sobre o conflito nem assumiu uma posição clara em defesa dos direitos humanos. Ficar em cima do muro paralisado não é a melhor posição.



2 Comments
Como seu eleitor, gostaria de saber sua opinião sobre
os acontecimentos no #Pinheirinho em SJC-SP.
Obrigado
Walter Pereira
Gabeira;
No seu ponto de vista, o que está faltando no governo Dilma? O que precisa melhorar? Para as próximas eleições quais são suas propostas?
Adoro seus artigos. Leio todos. Parabéns pelo belo trabalho!
Att;
Tais Viana.