
Durante muitos anos apenas um prédio fantasma, o Hotel Nacional continua a assombrar os moradores de São Conrado.
Um grupo deles entrou na justiça, questionando o leilão que o entregou a um empresário goiano e também a autorização, concedida pela prefeitura, para uma nova torre de 10 andares, no centro de convenções do Nacional.
O leilão chegou a ser investigado pela Polícia Federal. Os indícios de irregularidade foram muitos. O prédio foi arrematado pelo empresário Marcelo Limírio, que atua no ramo de medicamentos genéricos e tinha negócios com Carlos Cachoeira, o que deu nome a uma CPI.
Ele também foi sócio do ex-senador Demóstones Torres, considerado o braço direito de Cachoeira no Parlamento. Com Torres, o empresário tinha uma universidade em Minas Gerais.
Várias vezes adiado, o prédio acabou sendo arrematado por R$85 milhões. O preço caiu muito e o negócio foi realizado pela Superintendência de Seguros Privados, Susep.
O órgão federal era dirigido por deputado de Goiás, indicado pelo líder do PTB, Jovair Arantes, também ligado a Carlos Cachoeira.
Os moradores de São Conrado não estão se fixando nessas peripécias políticas. Sua tese é a de que a construção de uma nova torre de dez andares contraria a lei.
Para começar, a lei não permite escritórios comerciais ali e a Prefeitura autorizou a construção para incentivar a reabertura do hotel.
Mas o ponto em que os moradores se apoiam mesmo é a ausência de um Relatório de Impacto de Vizinhança, algo previsto pelo Estatuto das Cidades e também pelo Plano Diretor.
Com o encerramento melancólico da CPI do Cachoeira, o tema dependerá agora do inquérito da PF.
Caso nada seja apurado, apesar dos indicios, a tese do relatório de impacto na vizinhança pode ser a base legal para questionar o negócio.
O empresário goiano conta com a venda dos escritórios para terminar de pagar o hotel e reformá-lo.
Na verdade, a concessão do direito de construir mais dez andares ali é mais valiosa do que o próprio prédio. E nesse ponto é que os moradores batem, na esperança de reverter o processo.
O Rio precisa de hotéis. Inclusive do Nacional, considerado um dos marcos da arquitetura moderna, na epoca em que foi construido, em 1972. O grande problema foi o pacote criado para o leilão. De goianos para goianos, acaba comprometendo um dos bairros mais importantes do Rio.
Tudo isso está sendo feito para que a cidade se prepare para a Copa do Mundo. O argumento para licença poderá se basear no projeto original que previa uma torre de 54 andares. Mas no fim dos ano 60, não havia ainda a legislação ambiental de hoje.
O caso do Hotel Nacional e de outros projetos em debate, como o que dobra o gabarito na Barra da Tijuca, é visto como uma necessidade estimular as empresas a participarem do esforço da Copa.
A importância desses jogos é um consenso. As concessões que o Rio faz no entanto não são consenso.
artigo publicado no jornal Metro, em 19/11/2012


2 Comments
O Rio sendo privatizado.
Que tristeza e sentimento de impotência ficar assistindo esse leilão do Rio de Janeiro, entregue a irresponsáveis , bandidos, ignorantes.