Genocídio é a palavra exata para definir o que Kadafi está realizando contra o povo, na Líbia.
Dois pilotos fugiram com seus caças para Malta, onde pediram asilo. Representantes da Líbia na ONU se demitiram e um deles, Ibrahim Dabashi, afirmou que Kadafi está cometendo genocídio
Os diplomatas líbios disseram algo que foi tema do primeiro post do dia, neste blog: é preciso uma Corte Internacional para apurar os crimes de Kadafi. Não é possível o mundo simplesmente assitir o voo de caças determinados a abrir fogo contra a multidão.
Estou achando o Brasil muito calado. Na presidência do Conselho de Segurança da ONU, deveria pelo menos fazer uma advertência a Kadafi.
Temos muitos negócios com a Líbia. Fazia parte de nossa política externa ampliar as trocas com aquele país, independente da repressão de Kadafi, de seu show internacional, montando tendas nos países que visita, trazendo sua enfermeira ucraniana a tiracolo.
Na questão da venda de armas, sinto que o governo procura interpretar apenas o senso comum. Vamos negociar, abrir novos empregos, não importa quem é o comprador.
Por essas e por outras não conseguimos proibir a fabricação e exportação das bombas cluster pelo Brasil. São aquelas bombas comumente conhecidas como bombas de fragmentação. Explodem em centenas de fragamentos e, quando não explodem, por parecerem brinquedos, são uma armadilha fatal para crianças. Só resta à minoria a clássica frase de protesto: não em meu nome.


3 Comments
Prezado:
Talvez fosse mais interessante analisar a questão sobre o ponto de vista das rebeliões, pois se nada pode ser feito a respeito, como dá a entender o texto, é melhor tratar do que pode ser feito, onde podemos atuar, uma análise das insurreições naquela parte de mundo e as novas tecnologias, se é verdade, por exemplo, que elas servem para articular as massas e de como são utilizadas, seria mais util, daí, quem sabe? poderíamos fazer algo a respeito das armas.
Tecnicamente há uma diferença enorme entre “bomba de fragmentação” e “bomba cluster”. Uma boba de fragmentação tem uma casca de aço fundido que ao explodir é fragmentada em milhares de fragmentos. Uma bomba cluster tem uma casca oca com geralmente 2000 “mini bombas” dentro. Ele não explode no impacto, mas se abre soltando os “sub-munições”. Solto em cima de uma multidão, a bomba cluster tem capacidade muito maior de causar mortes do que a de fragmentação já que podem afetar uma area de dois a três campos de futebal. Eles também deixam muito submunições que não explodem que possivelmente podem causar danos por decadas.
Acho que Brasil deveria ratificar a Convenção de Dublin de 2008 proibindo bombas cluster.
Creio que Khadaffi não resta mais muito tempo.
A verdade é a seguinte. Os EUA + UE só mexeram os pauzinhos com as sanções e fazendo ameaças a Líbia até o momento por interesses quanto ao petróleo. Apesar da Líbia produzir só 2% do petróleo mundial, tem a maior reserva do continente africano e é responsável por cerca de 10% do petróleo consumido na Europa Ocidental, principalmente na Itália onde essa porcentagem atinge 32%.Logo quando a situação ficou crítica por lá o petróleo subiu 20% e alcançou US$ 110 dólares, maior valor desde a Crise de 2008 quando o barril chegou a valer US$ 147. Ou seja é um país de 6 milhões de habitantes e pobre, mas com enorme riqueza petrolífera com poder de sacudir a economia mundial. Os EUA + UE não fizeram nada além porque assim como Mubarak eles tinham na ditadura de Kadafi um aliado. Tudo não passa de um jogo sujo de interesse, e se nós, pobre massa de manobra, não reagirmos e não nos solidarizarmos com o povo da Líbia difícilmente haverá um fim rápido para esse genocídio. Quanto ao Brasil a presidenta Dilma já deveria ter se pronunciado abertamente sobre a crise no mundo árabe, o que não o fez. Interesses econômicos estão acima da verdade, da justiça e da democracia.