Ontem, prometi comparar os exemplos de Brasil e Espanha. Hoje, na porta da casa de Sérgio Cabral, surgiu, pela primeira vez, o traço que para mim distinguia os dois movimentos: parar para discutir.
É importante que as pessoas discutam o que querem. Na semana que vem, a batalha da PEC 37 já estará vencida.
Mas a reorganização do sistema política ainda ficará no marco zero. Não creio em reformas com os políticos que estão aí.
A reforma virá das milhares de sugestões e propostas da internet e precisa ser feita por uma Constituinte eleita para isso. Acabou de aprovar o texto, volta para a casa.
Esta saída terá de ser preparada para 2014 pois os custos seriam reduzidos ao mínimo pela coincidência com as eleições para deputados e Presidente.
Tenho alguma ideias sobre a reforma política, mas elas são irrelevantes agora.
O importante é pensar uma saída de médio prazo, enquanto se discutem os novos problemas.
A Copa do Mundo tornou-se uma grande enrascada. Ouço alguns manifestantes dizendo que não querem a Copa no Brasil.
Mas esta hipótese aumentará os prejuízos. Se construirmos um processo intenso de debates políticos o clima torna-se mais animador mesmo para os estrangeiros. O slogan da Copa passaria a ser: desculpem o transtorno, estamos mudando o país.
Já foi muita grana pelo ralo. Apesar de nossas paixões, será preciso encontrar uma saída racional.
Lula e os governadores de todos os grandes partidos achavam que a Copa seria um trunfo eleitoral. Mas um tabu foi quebrado no Brasil. A suposição de que a paixão dos brasileiros pelo futebol os deixariam cegos diante da manipulação política, caiu por terra.
É um novo marco na cultura nacional. O futebol deixou de ser o ópio do povo.

