A Copa do Mundo já começou para muitos países. Ela começa no auge de uma grande crise econômica na Europa com repercussões no mundo inteiro.
Nos Estados Unidos ainda não recuperados do choque de 2008, um movimento Ocupe Wall Street ganha força e anima uma manifestação transoceânica.
O M-15, movimento espanhol que agitou as eleições municipais, parecia estagnado e ganhou novo élan.
O interessante detalhe, observado pela revista Atlantic, é que tantos os radicais do Tea Party como os ocupantes da Wall Street pedem o fim da aliança entre a política e o capital financeiro.
Nesse contexto sinistro, o Brasil aparece como um oasis, preparando-se para grandes investimentos para a Copa. Quanto gastaremos? Nem o governo sabe direito, a julgar pela manchete do Estadão.
El Pais, o matutino espanhol, afirma que a hora da verdade do governo Dilma virá com as auditorias dos gastos da Copa.
Se isso acontecer, a hora da verdade chegará com atraso. No momento, o conceito da tansparência está em jogo, pois não sabemos sequer o volume dos gastos projetados.
Sem contar o fato de que Ricardo Teixeira, presidente da CBF, está sendo investigado pela PF e Orlando Silva, Ministro de Esportes, está no olho do furacão, com as denúncias sobre o programa Segundo Tempo.
No meu entender, a hora da verdade não acontece apenas na auditoria dos gastos, não é uma característica do post-festum.
Todas as horas revelam um pouco da verdade sobre a Copa. O Brasil projeta uma imagem de confiança, ao sediar os jogos. Mas ela pode se quebrar se os acontecimentos negativos continuarem a emergir.
Tanto a Copa do Mundo como a crise ainda parecem um pouco distantes. Mas não deveriam. Ambas estão sendo vividas como uma realidade fora do país.
Se formos esperar a hora da verdade no fim de 2016, teremos perdido a Copa e, possivelmente, a crise mundial.
Um dos temas pouco discutidos, por exemplo, foi a isenção de impostos concedida à FIFA. Os dirigentes do futebol pretendem ter um lucro de US$3 bilhões. Dirigem um esporte milionário, que paga salários astronômicos.
Num contexto de crise mundial, alguns pequenos sacríficios têm de ser feitos. No mundo inteiro, as multidões pedem que sejam dos mais poderosos.
Apaixonado ou não pelo futebol, o cidadão brasileiro paga a conta, dá desconto para a FIFA e ainda nem sabe quanto gastará com todo o evento. Na crise, é um fenômeno de generosidade.
Mas será que sabe disso?



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