Morreu hoje, aos 91 anos, uma bela figura do cotidiano da piscina do Flamengo: Alfredo Botelho Machado.
Ela vinha todas as manhãs com uma acompanhante e passava horas na piscina. As vezes caminhava, as vezes nadava.
Costumava brincar com ele: na sua idade, não se pode nadar mais de cinco mil metros. Ele ria.
Alfredo para mim era no princípio apenas o pai do Maninho, Ronaldo Machado, também morto, que foi militante da ALN companheiro de exílio.
Com o tempo, passou a ser uma figura familiar, nadando sob a supervisão atenta da moça que o trazia.
Depois da natação costumava tomar um suco de laranja. Foi nesse momento que o fotografei. Pensava em fazer um novo retrato mas não houve tempo.
Ele foi operado, estava prestes a ter alta do hospital e sofreu uma embolia. Fui vê-lo pela última vez, coberto com a bandeira do Flamengo, na capela do São João Batista.
Soube ali que foi um grande oficial da marinha e que sua tarefa era patrulhar a costa brasileira, que ele percorreu longamente.
Se foi para algum lugar com água, certamente já está em trajes de banho para iniciar seu exercício cotidiano.



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Conheci Alfredo na piscina Gostava muito de conversar com ele. Olhava nos olhos, ouvia e falava com verdadeiro interesse e era rico em assuntos. Me ajudava a compreender o quanto é precioso cada pequeno momento junto aos companheiros de vida. Um abraço para ele, onde estiver.
Soube pelo blog. Obrigada, então, amigo jornalista.