Uma denúncia da revista Época cancelou a licitação de um projeto de mais de R$ 600 milhões para recuperar o sistema lagunar da Barra e Jacarepaguá.
Segundo a denúncia, as três empresas vencedoras da licitação, OAS, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez, já eram conhecidas antes do resultado sair.
Uma consequência do cancelamento será um atraso nas obras, velho sonho dos moradores da Barra e promessa do Brasil para a realização das Olimpíadas.
Carlos Minc acha que o atraso não será mais do que um mês. É bom que seja curto. Percorri algumas lagoas da Barra e fiquei impressionado com a sujeira.
Existe uma cooperativa de catadores que é ajudada pelo estado e iniciativa privada. Mas são apenas 18 pessoas.
O problema do esgoto continua visível nas fortes descargas dos canos apontando para a Lagoa da Marapendi.
Em muitos lugares, a água cheira mal e emergem centenas de bolhas, indicando o baixo nível de oxigênio.
O esgoto vem de pobres e ricos. Sai um canal fétido que passa pelo Rio das Pedras e traz consigo tudo o que vem de algumas comunidades.
O esgoto que vem do Downton, um centro de classe média, também desagua na Lagoa e pude documentar isto fartamente durante a navegação.
Tinha a convicção de que resolver o problema do esgoto era funtamental. Continuo com ela. Mas confesso que preciso responder a uma outra pergunta:
Por que áreas já saneadas continuam despejando esgoto na Lagoa de Marapendi, por exemplo?
O governo vai gastar R$600 milhões com saneamento e R$600 milhões com a obra de recuperação propriamente.
Serão construídos restaurante, ilha parque e na área do saneamento 15 elevatórias e estações para tratar o esgoto.
Não se fala numa campanha para mobilizar os moradores das margens das lagoas para se reduzir o lançamento de lixo no espelho d’agua.
Capivaras, socós, garças, a vida em torno da Lagoa está ilhada por montanhas de lixo de água suja.
A conclusão das obras pode ter um papel pedagógico. Alguns deixarão de jogar lixo porque verão as transformações positivas.
Mas as obras vão levar algum tempo. As lagoas não podem mais esperar. Por que não começar desde agora a limpá-las realmente com a redução dos detritos?
Muitos problemas dependem de infraestrutura. Mas muitos dependem da nossa cabeça. Mudá-la custa menos, dá resultados mais imediatos e nem precisa de licitação.
Claro que oferecer uma boa quantidade de containers ajudaria bastante. Diante deles, as pessoas ficariam menos tentadas a agredir as lagoas.
Já que as obras vão se atrasar por problemas legais e burocráticos, o caminho é amenizar a descarga de lixo e esgoto.
A barra das lagoas pesou demais.
Artigo publicado no jornal Metro em 22/07/2013



