Parto hoje com o poeta Ferreira Gullar para uma viagem a Poços de Caldas, onde há uma feira de livros e, como não podia deixar de ser, alguns debates.
Continuo atento aos fatos do Rio. Ontem, Garotinho fez um discurso na Câmara, afirmando que tem uma gravação comprometedora.
Segundo ele, Cavendish estava abrindo caminho para Cachoeira no Rio, em troca de seus serviços no Centro-Oeste. E exigiu que os bicheiros dessem um espaço para o empresário goiano.
Ainda segundo Garotinho, os bicheiros se recusaram e, em represália, a policia civil fez uma operação prendendo todo os seus maiores nomes.
Isso foi o que disse na tribuna e o tema foi republicado em alguns jornais. Ele informou que não mostrava a gravação porque ainda não tinha certeza de sua autenticidade.
Imagino que autenticidade, nesse caso, é saber se a gravação foi ou não manipulada. Dificilmente, será posivel confrontá-la com as vozes dos protagonistas. Não creio que seja uma peça de teatro radiofônico, gravada por atores.
Não consegui confirmar a história de Garotinho. Apesar do serviço prestado pela divulgação das imagens, as vezes ele promete revelações no site e não cumpre.
Prometeu, por exemplo, dar uma informação sobre o assalto à casa do Vice Luiz Fernando Pezão, transmitida por uma fonte da Secretaria de Segurança. Até agora nada.
Tentei investigar a história do assalto, porque desconfiei dela. Apurei, entretanto, que o assalto tem mesmo características comuns. O único apartamento que não tinha chave papaiz, o do vice-governador tornou-se um alvo mais atrativo porque entrar nele tomava menos tempo e barulho.
Alem disso, havia jornais acumulados na porta, indicando a ausência dos moradores. Registro isso porque acho que os fatos, apenas eles, podem nos levar ao conhecimento do que realmente está se passando.
E os fatos já divulgados por Garotinho, através das imagens, são graves. O Estado de São Paulo, por exemplo, publica matéria indicando que a área onde está a casa do governador Cabral, em Mangaratiba, é uma área de proteção ambiental e as construções só foram permitidas ali por uma manobra do prefeito de Mangaratiba.
Possivelmente a casa dos três personagens da festa em Paris (Fernando Cavandish, Sérgio Cortes e George Sadala) estejam na mesma área de proteção ambiental.
Se a justiça considerar procedente a queixa de moradores de um condomínio vizinho, estaremos diante de um novo fato grave, às vésperas da Rio+20, a conferIencia da ONU sobre meio ambiente.
Temos o direito de conhecer todas as quase 100 viagens de Cabral. Com quem foi, o que fez, quem pagou. Esses gastos nunca ficaram claros no orçamento do estado.
Cabral poderá argumentar que muitas dessas viagens são particulares logo indagar sobre elas significa invadir sua privacidade. Acontece que ele está no centro de um escândalo em que as suspeitas recaem sobre suas viagens.
Alegar privacidade quando se questiona o uso do dinheiro público é negar o direito coletivo de saber como são empregados os recursos de todos.
Num dos artigos que escrevi no Estado de São Paulo afirmei que a Assembléia negou que se apurassem esses dados e quando foram pedidos na Câmara, o PMDB blindou Cabralm negando-os também.
Essa busca incessante dos dados sobre as viagens é um mérito do mandato de Garotinho e, por maiores que sejam nossas divergências, não posso negá-lo.
Conhecer todas as viagens de Cabral e os vínculos de seu governo com os empresários é um problema do qual a sociedade não pode se esquivar, sob pena de sinalizar indiferença diante de um provável saque aos cofres públicos.
Digo essas coisas sem pretensão de ser o dono da verdade mas apenas de colaborar. A tropa de choque de Cabral já iniciou seus ataques na internet.
Eles são patéticos. Durante a campanha de 2010, empresas de perfis foram contratadas para repercutir seus pronunciamentos. Era tão visível aquele corrente de comentários encomendados partindo de fonte externas que recolhemos o material e oferecemos aos jornalistas, para demonstrar que compraram um pacote de serviços na internet e o apresentavam como manifestações espontâneas. Não houve interesse.
Respeito muito tudo que falam de mim, quando vem de pessoas reais, não importa o nível de discordância que tenhamos. Responder a campanhas pagas é o mesmo que ficar brigando com uma gravação ao telefone.
Mesmo porque jamais vi na internet uma pessoa real afirmando que não temos o direito constitucional de saber sobre as viagens do governador, contratos com a Delta e outras empresas sospechosas.
Na campanha, fui à porta da Toesa para enfatizar os enormes desperdícios com ambulâncias. Este ano, a Toesa foi desmascarada, finalmente. A Facility, dizem, já até mudou de nome, tão chamuscada que saiu das constantes denúncias..
Se não houvesse aquela reportagem no Fantástico sobre corrupção na saúde, Sérgio Cortes continuaria a manter os contratos com a Toesa.
Garotinho prestou um serviço, não importa o que se pense dele. Ele tem razão em afirmar que nada será como antes. Agora ficou claro que é necessário investigar para saber realmente o que se passou nesses cinco anos e quatro meses.
Os que nos negam um direito constitucional, como os deputados que recusaram uma CPI, que ocupem suas trincheiras. A luta pela transparência não tem apenas uma base racional: ela se apoia na lei. Com todo respeito pela maioria de eleitores que votou em Cabral essa condição majoritária não confere a ninguém o poder de atropelar a lei.



6 Comments
Gabeira
Vc sera uma figura fundamental para trazer todas essas verdades ao Brasil e nao so ao Rio de Janeiro.Sou de classe media alta onde tenho uma familia que sempte trabalhou para ter o wue tem.Nao podemos permitir que Os sadalas da vida passem e fiquem impunes.Veja o que ele fez ao Banco do Brasil anos atras e fugiu do pais.A vida dele e ganhar dinheiro e ficar cada vez mais rico…pobre coitado Jogue duro gabeira nao deixe passar em branco.vc que e um politico serio levante essa bandeira no rio de janeiro nao permitindo que homens como abral,sadala e cavendish permanecam tirando cada vez mais do povo vou ye acompanhar e cobrar hU
Concordo plenamente. Não votei no Sr. Cabral mas me sinto insultada. Quantas vezes eu li que ele não estava no Brasil? Claro que um governador pode tirar férias. Mas a toda hora ou quando quizer? E que tantos negócios pode ter um governador do estado a resolver para este estado na Europa? Quando morava em São Paulo sabia quando o Maluf ia viajar. Aparecia na imprensa, ele ia com a Hebe, era uma festa. Pronto. Tirou ferias voltou e vida que continua. No caso do Cabral a gente ficava aqui pensando: Mas o Pezão é o governador? O que toca tudo? Como? Tem que investigar sim. Na verdade acho que tem que ir para a rua. Botar o ” Que mer@a é essa?” na rua.
Julgamento do mensalão já!
Gabeira, sou um grande fã seu, porém estou me desanimando em sê-lo. Cadê a vibração e energia que víamos antigamente? Por que não temos mais notícias de seu combate dentro do plenário, porque não vem a público e demonstra todo o seu desgosto pelo assunto ? Escrever em blog apenas não traz a tona os fatos reais, não busca a realidade, apenas a descreve com palavras vindas de outrém. Você, como Deputado Federal, podia fazer mais, no entanto não vejo fazendo muito. Já articulou com outros Deputados uma investigação mais rigorosa de “nosso” governador”? Tomara que eu esteja enganado.
Caro Leandro,
O Gabeira não exerce mandato desde as eleições para Governador, onde infelizmente não foi eleito.
Assim, não pode concorrer a reeleição a câmara Federal.
Ou seja, seu comentário não procede, uma vez que atualmente ele apenas exerce sua profissão de jornalista.
Isso tudo infelizmente…
Gostaríamos de vê-lo na bancada dos vereadores no RJ(já que não deseja concorrer a prefeitura), o que além de moralizar essa casa legislativa, fortaleceria a base do PV nessa casa com a entrada de mais vereadores.
Mas infelizmente já manifestou-se sobre sua não participalçao nas próxomas eleições.
Uma grande pena!
O que venho acompanhando sobre Cachoeira e seus tentáculos espalhados pelo Brasil me levou a pensar que os bicheiros do RJ são figurinhas perto dessa enxurrada atual.
Agora entendo porque estão presos.
Agora com a lei de acesso a informação vai ficar mais difícil negar dados. Além do mais se o cabral exerce um cargo público, ele tem o dever de prestar informações sobre onde esteve, e etc.