No comentário da Band de hoje falo da repercussão da CPI do Cachoeira no Rio. A CGU decidiu fazer uma investigação sobre os negócios da Delta e pode classificá-la como empresa indigna de confiança do governo. Isto significa a saída da Delta das obras públicas no Brasil.
Aqui no Rio, as grandes obras não devem ter dificuldade para substituir a Delta. Ela já saiu do Maracanã e o consórcio de empreiteiras assumiu a sua parte.
Informam alguns jornais que a Delta deve deixar também a Transcarioca, que ligará a zona norte, Aeroporto Tom Jobim, com a zona oeste, Barra da Tijuca. Nesse caso, a Delta deverá ser substituída pela Andrade Gutierrez.
São obras caras, verdadeiros objeto de consumo das grandes empreiteiras. No entanto, Delta tem muitas obras sem licitação na serra fluminense.
É preciso decidir rápido se ela fica ou sai. A decisão na serra não está presa a prazos longos como a Copa do Mundo ou Olimpíadas. Está atada à chegada do próximo verão e as chuvas torrenciais que caem nesta época do ano.
Traumatizada com a queda dos prefeitos de Teresópolis e Friburgo, acusados de corrupção, os moradores da serra não merecem sofrer mais.
É preciso uma decisão rápida. Quem confia na Delta , depois de tudo o que foi divulgado, para entregar na suas mãos obras que podem salvar vidas dos moradores da serra?
Há, portanto, nuitos riscos em jogo. Um deles é a tomada de uma decisão tardia. O segundo é empurrar com a barriga para perceber que, no olho do furacão, a Delta não tem condições de cumprir seus compromissos. Quem pagará por esse vacilo serão os moradores da região serrana.
A Delta já costuma atrasar suas obras. No chamado Arco Metropolitano, por exemplo, demonstrei em 2010, que os trabalhos estavam quase paralisados.
Ficou claro agora porque a Delta vencia tantas licitações. Ela subornava funcionários e colocava o preço lá embaixo. É o que se chama de uma tática agressiva.
Ao longo do percurso da obra, a Delta ia fazendo aditamentos que não só igualavam o preço dos concorrentes que ela venceu mas poderiam até superá-los.
Que a Delta na ânsia de ganhar dinheiro faça isso é inteligível. Que governos experimentados em contratar obras públicas não tenham percebido a tática é inexplicável.
Não há necessidade de se antecipar às conclusões da CPI. O que há de urgente é compreender o drama da serra fluminense e ajustar as coisas para a chegada do verão.
O governo do Rio foi amigo de fé, camarada de Delta. É hora dela sair de cena, sobretudo em lugares onde as obras são urgentes e inadiáveis. O resto fica com a CPI .



Comment
Caro Gabeira,
Sugiro até mudarmos o nome do Estado para Delta do Rio de Janeiro.
Na serra de Nova Friburgo o governo fez muito, como entregar uma dúzia de veículos gol, usados e recondicionados, que pertenceram à Polícia Militar.
O Pé Grande, há mais de um ano prometeu a estrada do contorno, uma nova sede para UERJ e a construção de casas populares. Nada aconteceu naturalmente, e o Pé Grande nunca mais foi visto, virando mais uma lenda nas montanhas de Nova Friburgo.