Esse é o texto da coluna de hoje, no jornal Metro
As UPPs são um sucesso no Rio. Pacificaram grande parte da cidade, valorizaram imovéis e criaram um cinturão de segurança para a Copa do Mundo.
O único problema: há poucos soldados para um projeto desse tipo, se consideramos todas as comunidades do Rio. Menos ainda, se levamos em conta a área metropolitana e cidades de porte médio.
A imagem do cobertor curto é que a melhor explica . Quem conheceu a favela Nova Holanda em Macaé e cruzou com jovens armados de fuzis e metralhadoras compreende isto com facilidade.
A análise do crescimento de alguns crimes na Baixada Fluminense também ajuda a compreender a teoria do cobertor curto.
Os melhores indices de segurança acontecem na Zona Sul e nas áreas que repercutem na classe média. Em outros lugares, a apreensão é de que as coisas se tornaram mais complicadas com a instalação da UPPs.
Isto levaria meses para ser compreendido, se o crime não alarmasse também uma cidade com forte presença da classe média: Niterói.
Segundo a imprensa, os bandidos que sairam do Rio ocuparam os morros de Niterói e operam com os métodos conhecidos de violência e intimidação.
Cavalão, Estado, Preventório, Cachoeira, Cova da Onça são os nome que, substituem no noticiário policial, os morros do Rio ocupados pelas UPPs.
O problema de segurança de Niterói é sério. Com 500 mil habitantes, a cidade tem apenas 700 policiais no 12º DP. E, como se sabe, nem todos estão operando todo o tempo.
Pelas suas características, Niterói ocupou a manchete dos jornais. A cidade tem muito pouco e merece mais. Imaginem, no entanto, Nova Iguaçu com, aproxidamente, 800 mil habitantes e nenhum batalhão da PM.
Nada disso é muito estranho. Na verdade é a reprodução de um mecanismo real na política de segurança do Rio: cobertor é curto
Cerca de 93 por centos dos assassinatos não é investigado, por falta de recursos. Qual o critério para escolher os sete por cento restantes?
A única saída para a polícia é se concentrar apenas nos casos de grande repercussão. Um dia, meu apartamento foi assaltado no Bairro Peixoto. Fiz a queixa, ninguém se interessou.
Mais tarde soube que, em certos casos, de repercussão, a polícia tem condições de periciar o local assaltado e recolher impressões digitais. Só em certos casos.
Governantes consideram um suicídio político cuidar de mortos anônimos, corpos em valas e porta malas. A sobrevivência eleitoral fala mais alto.
O caminho real é reformular a polícia, investir e traçar um mapa de segurança para o estado inteiro. São todos filhos de Deus. E pagam impostos.
Nada contra as UPPs. Mas a evidência do cobertor curto ficará mais clara quando áreas descobertas, como Niterói, fizerem ouvir o seu clamor



Comment
Hoje eu ouvi de manhã a entrevista que o Gabeira deu na radio. falando sobre essa materia e alertou das explosões do metro, pra expansao da linha 1, gostaria de saber do gabeira se ele e o PV estão pensando em apoiar o Marcelo Freixo a candidatura da Prefeitura do Rio ou se tem interesse em se candidatar.
Espero que o mundo mude. esses dois tem muito que contribuir Juntos então, como Prefeito e Governador então seria um Rio melhor.