Sai ao amanhecer para ver o cotidiano começar na ilha. Fui direto ao porto, onde há uma grande obra. Como em outros pontos do Brasil muita discutida quanto aos cuidados ambientais e a relação gastos e realizações concretas.
No porto, equipes uniformizadas das empresas de mergulho chegam cedo para baixar as garrafas de oxigênio. Existem três empresas explorando o negócio de Noronha e ele parece continuar a crescer.

Mergulho em dimensão empresarial em Noronha.( foto FG)
O espírito empresarial é um dos traços que, nesse momento, definem Fernando de Noronha. O próprio Parque Nacional Marinho será administrado pela empresa que já administra o Parque de Iguaçu.
Por outro lado, a pressão do turismo, com o pais crescendo, tende a aumentar. Os grandes navios trazem turistas em numero muito maior do que os aviões de 45 passageiros da Trip.
Saí do porto e fui para a trilha que leva à Baia dos Golfinhos, onde há sempre um grupo de observadores esperando a aparição dos alegres visitantes que deram o nome à baia.
No meio de trilha encontrei dois ratos que se esconderam entre os arbustos. Mais tarde encontrei uma preá que aqui é chamado de mocó
Os ratos na trilha podem ser um sinal de que seu número está crescendo na ilha. Na tarde anterior, passei pelo depósito de lixo e havia um grande acúmulo de resíduos à espera de barcos para levá-los ao continente. A coleta está irregular.
Visão parcial da praia do Sancho.(foto FG)
Um pouco mais adiante comecei na ilha as noivinhas, as aves brancas que sempre fizeram parte desse cenário natural. Na volta, usamos outra trilha, a que dá vista para a Baia do Sancho e sua praia maravilhosa, considerada por muitos a mais bonita do Brasil.

As noivinhas deitam sobre os ovos nas árvores e não constroem ninhos.(fogo FH)
Ainda na trilha dos golfinhos encontrei um tronco de mulungu que tem uma história singular. No passado, Noronha era um presídio e muitos tentaram fugir boiando num tronco de mulungu.

Tronco do mulungu.(foto FG)
Acontece que sua madeira encharcava rapidamente e o fugitivo naufragava. Mas existe, segundo os entendidos, uma . técnica de “fumegação” para tornar o tronco do mulungu impermeável.
Com amigos que moram aqui, tenho conversado sobre o futuro de Noronha. Essa combinação de um espírito empresarial com uma demanda maior do turismo é a tendência.
A única saída é ressaltar a importância natural do arquipélago e trabalhar por uma visão sustentável. Numa das praias daqui, a do Boldró, já se notou, muitas vezes a presença de esgoto.
Há mais gente na ilha do que a infraestrutura comporta. Para um Parque Marinho que abranje 70 por cento da área terrestre e marinha até 50 metros de profundidade, isso é um sério problema.

Um monumento entre a baia dos Golfinhos e o Sancho.(foto FG)
Entre a visão empresarial voltada para os lucros e conservação dessas ilhas oceânicas pode não haver incompatibilidade. Desde que todos aceitem que estão num Parque Marinho e que esta realidade determine o projeto de exploração.


Leave a reply