Como posso fazer o que queres, lobo?
Lupus, lupi, declinava-se assim. E a lembrança da fábula de Esopo, recitada na escola, me veio com a nova crise que se desenha. Desta vez é o Ministro do Trabalho Carlos Lupi. Parece com todas as outras cinco.
Vai-se a primeira pomba – recitava o professor de português. Vai-se o sétimo ministro neste primeiro ano de governo. Um deles, Nelson Jobim, saiu por excesso de franqueza.
As coisas se repetem com detalhes idênticos: ONGs, tarefas não realizadas, dinheiro para os cofres partidários; basta trocar o nome dos personagens para contar toda a história.
Aliás, a Policia Federal suspeita que todos os envolvidos andaram fazendo um curso comum sobre como desviar dinheiro, falsificar notas fiscais e até a idade da ONG.
Lupi é macaco velho. Fez-se na política como um abnegado assessor de Brizola. Nada que possa descrever, substitui a foto de Orlando Brito. Mimetizado naquela atmosfera, o brilhante fotógrafo brasileiro consegue contar, com um simples clique, grandes histórias da corte brasiliense.
Com essa personalidade, Lupi deveria procurar, o mais rápido e discretamente, sair de cena. Os dirigentes do PC do B também são macacos velhos. Mas de outra forma. Ainda acreditam na força de guerra fria para vitimar a verdade.
Por que Lupi sairia? Não estaríamos aplicando a ele a lógica do próprio lobo, no diálogo com o cordeiro: o responsável não é você mas seu secretário executivo?
Vamos voltar à foto. Dilma sequer olha para o beijo na mão. Ela desvia o foco para bem distante, como fez quando Sérgio Cabral, num inglês bastante acidentado, desfiava elogios à ela no sambódromo: the first woman president of Brazil.
Lupi dificilmente vai à televisão envolver a imagem de seu partido, o PDT e , como os comunistas, construir uma blindagem através da mitificação do passado. Talvez fique apenas alguns dias e, depois, resolva sair para provar a inocência de sua gestão.
A divulgação pela CGU da existência de 500 contratos sem fiscalização, no Ministério do Trabalho, indica que o governo sabia que Lupi era o próximo.
Vamos assistir, mais uma vez, ao mesmo filme. Menos dramático, mas revelador quando se escolher o novo ministro.
Estamos apenas trocando peças de uma engrenagem imutável? Ou será que, no sétimo ministro demitido , já se pode perguntar se não há algo errado com a maneira de compor um governo?
Quem se lembra das verbas que não foram para as estradas, dos convênios engolidos no turismo, dos dribles à prestação de contas no programa Segundo Tempo?
Lupi deveria pedir licença e sair, mas a sucessão de atores em cena não alterou ainda a essência do script. É possível retirar as ONGs da sala. Mas é muito ingênuo supor que o problema está apenas nelas, sobretudo as que foram criadas com o único objetivo de levantar grana.



2 Comments
Quosque tandem Lubi abutere patientia nostra???
Gabeira, dissestes tudo. Só tem uma coisa. Na ótica petista/peemedebista/peppista…enfim, esta, sim, é a maneira correta de compor um governo. Todos são iguais. Todos são ladrões.