Começam hoje no Rio as obras que vão demolir um viaduto, o da Avenida Perimetral, e permitir uma melhor recuperação da área portuária.
A recuperação do porto do Rio é uma velha ideia que pegou carona na proposta de deixar algum legado após a Copa do Mundo e Olimpíadas.
Mas é apenas uma obra. Ontem, a Ministra Miriam Belchior afirmou que as obras que melhoram a mobilidade urbana não são essenciais para a Copa do Mundo.
O foco estará na construção de estádios e hotéis. O chamado legado dos jogos, destinado a melhorar a vida das pessoas, pode não ser concluído.
A saída que a Ministra apontou é decretar feriados nos dias de jogos. Uma Copa do Mundo tem muitos jogos, durante quase um mês. O feriado seria decretado apenas na cidade onde o jogo se realiza, presumo.
Ainda assim, falta calcular o quanto custará essa decisão. Um feriado em São Paulo paralisa atividades no Rio e outras cidades que mantêm relações estreitas entre si.
A Ministra ainda não sabe o quanto custará a Copa. Mas precisará saber o quanto vão custar os feriados. Pessoas que trabalham como autônomas terão suas atividades suspensas e perderão dinheiro. É como se pagassem um tributo não aprovado legalmente mas que ainda assim caiu sobre suas cabeças.
A fórmula apresentada pela Ministra Miriam Belchior é uma solução para que as pessoas possam ver os jogos, em dia de trânsito mais calmo.
Mas altera a lógica que estava por trás da decisão de hospedar a Copa. Iríamos usar os jogos para melhorar a locomoção urbana e deixar um legado permanente para as cidades brasileiras.
Agora o panorama é o seguinte: vamos fazer estádios e hotéis e decretar feriados. Ao invés de legado, ficaremos apenas com o prejuízo dos feriados.
O goveno sabe que os assalariados não vão protestar contra feriados porque se sentem, imediatamente, beneficiados.
Autônomos e empresários vão perder dinheiro. A Copa para eles vai parecer com a morte daqueles nobres arruinados que, ao invés de herança, deixam dívidas para os parentes.



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[…] A solução para esse complexo problema já foi anunciada pela ministra Miriam Belchior: sai o legado, entra o feriado. Nos dias de jogo, as cidades param e o Brasil arca com um imenso prejuízo, sentido na carne pelos […]