Meus olhos estão voltados para o Chile. Sigo para Santiago, em missão do Estado de São Paulo. Devo apenas fazer a mediação do debate entre Daniel Cohn Bendit e Marina Silva, no festival Back2Black.
Surpreendente, graças a Deus, a vida de jornalista. Estava pronto para fazer uma nova viagem de estudo na Amazônia, desta vez na região chamada Cabeça do Cachorro. A visita pode esperar um pouco.
O movimento dos estudantes no Chile avançou tanto que colocou o governo na parede. O presidente Sebastián Piñera convocou um dialogo nacional e parece que esta semana será decisiva.
O movimento ganhou o apoio dos sindicatos e a greve geral mobilizou milhares de pessoas, como nos velhos tempos. Os sindicatos de funcionários públicos foram o que mais responderam à palavra de greve. Tudo se agravou porque o adolescente Manuel Gutierrez Reinoso foi morto com um tiro no peito.
O movimento chileno ganhou destaque também graças à personalidade da presidente da Confederação dos Estudantes do Chile, Confech. Ela se chama Camila Vallejo e foi considerada pelo The Guardian como o líder revolucionário mais interessante na América Latina, desde a aparição do comandante Marcos, no México. Com a diferença, diz o jornal, que ela usa um brinco no nariz, ao invés de arma.
A grande reinvindicação estudantil é a universidade pública e gratuita. Piñera resistiu afirmando que não existe nada de graça na vida. Alguns economistas tentaram complementar seu argumento, afirmando que todos terão de pagar pelo ensino de alguns.
Francisco Figueroa, um dos lideres mais destacados entre os estudantes, argumenta que médicos salvam vidas, engenheiros constroem pontes, logo a sociedade recebe, de volta, o que investe nos profissionais.
Tudo o que sei, li nos jornais. É hora, graças ao Estadão, de checar nas ruas de Santiago, onde já vi grandes manifestações de massa e, infelizmente, os aviões começando o bombardeio ao Palácio La Moneda, em setembro de 1973.



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