Os escândalos se sucedem e esta sucessão tem consequências. Uma delas é o foco no conjunto e uma certa superficialidade no exame dos casos individuais. A outra mais radical, é o esquecimento.
Quem se lembra do DNIT, depois que o escândalo explodiu na COHAB? E quem se lembra do escândalo mais recente quando a PF organiza um verdadeiro voo charter com 35 suspeitos do Turismo para Macapá, onde serão interrogados?
Muitos acham que o governo está apenas fazendo jogo de cena, fingindo que combate a corrupção. As coisas parecem um pouco mais complexas.
Defrontado com o primeiro grande caso, o governo Dilma resolveu demitir no Ministério dos Transportes e deixou circular a imagem da faxina nos cargos de confiança de partidos.
É complicado fazer um discurso desse tipo e, simultaneamente, neutralizar órgãos de controle como o TCU e a Polícia Federal, abarrotados de relatórios com indícios de corrupção. Além disso, a imprensa está em grande atividade.
Podem acontecer excessos em uma ou outra operação. Os partidos políticos vão se apegar a esta possibilidade para evitar que o processo avance.
Talvez tenha ficado tarde demais para, simplesmente, encerrar a chamada faxina. Ou tarde demais para acalmar os aliados no presidencialismo de coalizão.
O governo vai apelar para crise econômica, em busca de unidade nacional. Acontece que a crise econômica torna mais difícil manter de pé um esquema de corrupção, destinado a garantir eleições sucessivas e a enriquecer alguns burocratas.
Curioso é que todos falam de Copa do Mundo e Olimpíadas e alguns acham que Londres não poderia sediar os jogos de 2012 porque houve confrontos nas ruas.
O que dizer então de um pais que organiza Copa e Olimpíadas e quase todo seu Ministério do Turismo embarca para a prisão, numa remota capital do norte?
A tese do PMDB e do próprio governo é de que o Ministro Pedro Novais não tem relação com o escândalo, pois o convênio que o propiciou foi assinado em 2009.
O problema do ministro Novais não é ter ou não relação com o escândalo. O problema dele é ter ou não relação com o próprio turismo no Brasil.
Dilma precisa enfrentar esta questão. Só tem sentido gastar com os jogos, se pudermos trazer algo de volta, com o crescimento do turismo. Graças à PF, o problema acabou na agenda, embora muitos, como eu, tenham insistido em discuti-lo, antes mesmo de estourar o escândalo.



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