Estou atrasado no trabalho de fim de semana. Os vôos estavam complicados. Os aeroportos não ajudaram. Em Goiânia não havia lugar nem para sentar. Em Brasília nos jogavam de um portão de embarque a outro e tínhamos que sair carregando nossa bagagem.
Fiz uma palestra sobre o momento da energia nuclar no mundo para encerrar o Festival Internacional de Cinema Ambiental.

Tendas foram erguidas nas principais praças.(foto FG)
Minha palestra não foi tão importante quando o que encontrei lá: uma disposição da sociedade e do governo goianos contrária à transferência do lixo atômico de Angra para lá.
Os goianos sofreram muito com o acidente radiotivo na rua 57, quando várias pessoas foram contaminadas com césio 137.
Foram discriminados em alguns lugares do pais, tiveram seus produtos, sobretudo alimentos, recusados e até hoje as vítimas do acidente não recebem os medicamentos necessários na hora certa.

Menino no muro da igreja evangélica.(foto FG)
O trauma foi tanto que a própria Constituição de Goiás incorporou um proibição de instalações nucleares, exceto as de fins médicos e outras aplicações consideradas inofensivas.
O Ambiente de Goiás, Leonardo Vilela reafirmou a rejeição de Goiás ao lixo radiotivo. Seu argumento principal é de que o depósito de Abadia onde se construiu um parque contem apenas resíduos de baixo poder de contaminação e não pode receber o material de Angra

Cachorro quente era uma saída para muitos.(foto FG)
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Começou também um movimento chamado Aqui Nem, trocadilho com a palavra CNEN(Comissão Nacional de Energia Nuclear) órgão que teve a ideia de transportar os resíduos para Goiás. Já havia mais de mil assinaturas no final do encontro em Goiás Velho.
De um ponto de vista cinematográfico, o filme vencedor foi Bicicletas de Nhanderu, de Ariel Ortega e Patrícia Ferreira. Não vi todos os filmes. Falavam bem de Lixo Extraordinário, que disputou o Oscar de filme estrangeiro nos EUA, e do chinês O Desejo da Vila de Changhu.

Ao amanhecer ainda havia gente cantando na praça.(foto FG)
Os principais comentários sobre o filme chinês indicam uma nova fase do cinema ambiental: boas imagens, domínio técnico, algo que está quase sempre ausente em filme de denúncia.
Milhares de jovens foram a Goiás Velho. Os debates contavam com mais ou menos 500 pessoas. Os shows entratanto, como o de Mano Chao, atraíram mais de 30 mil pessoas.

O Festival foi também um espaço para o romance.(foto FG)
Fica o registro e, se houver espaço no fim de semana, mostrarei um pouco mais de Goiás Velho. Ela tem um casario mais pobre do que Ouro Preto mas em compensação é cercada de morros e serras não habitados.

Fachada da casa de um médico em Goiás Velho.(foto FG)


2 Comments
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Alô Pessoal,
Os comentários estão no @estadão. Vamos movimentar este blog e escrever aqui tambem. Mesmo que sejam os mesmo postados no estadão. É copiar e colar aki o q comentarios que postamos lá no Estadão.
O Estadão é show, mas nem todos o seguem.
abraços
Gilda – RJ