Na manhã de domingo, as autoridades japonesas informaram que é há um possível vazamento radioativo no reator 2 de Fukushima. A água que sai do reator para o prédio das turbinas está 10 milhões de vezes mais radioativa do que a água normalmente monitorada nessas instalações.
Isto quer dizer, com muita probabilidade, que o reator 2 está vazando o que pode explicar a entrevista do inspetor chefe da AIEA, Yukiya Amano, que afirmou estar a luta em Fukushima muito longe do fim.
No mesmo domingo, aqui no Brasil, autoridades no campo da energia nuclear, anunciaram que Angra dos Reis passará por uma revisão de segurança: as encostas serão reavaliadas por uma auditoria externa para evitar o impensável. O que já aconteceu ali com o soterramento de radioecologia, em 1985.
Aliás foi a incerteza dessas encostas que permitiram uma ação movida pelo deputado Carlos Minc e eu que manteve a usina fechada por algum tempo. Mas de lá para as coisas mudaram.
Um dos pontos que os dirigentes brasileiros deveriam levar em conta é o desastre em Fukushima.Aqui as condicões geológicas são diferentes. Mas há sempre surpresas. O tsnunami, embora mencionado em relatos de outros séculos, só recentemente foi incorporado à linguagem cotidiana. Um dos engenheiros que projetou a usina disse claramente que não contava com tsunamis. A preparação foi feita aos poucos, com a construção de barreiras no mar. Elas foram construídas pensando num terremoto de mais baixa intensidade e portanto em ondas menores. Quando veio um terremoto de 9 graus e ondas imensas, as barreiras não só mostraram inadequadas como também pouco resistentes.
A conclusão do processo japonês é que estavam trabalhando com parâmetros científicos antigos e a sismologia e administração de riscos que tinham avançado muito nos últimos anos foram subestimadas.
O Brasil começou negando a necessidade de revisão. O Ministro de Energia, Édison Lobão chegou a afirmar nossa superioridade em termos de segurança. Em seguida, pressionado pelos fatos internacionais que alguém deve ter acompanhado para ele, reconheceu que era preciso fazer alguma coisa.
Vamos ver a sinceridade de tudo. Se o Brasil quiser mesmo fazer uma revisão precisa contar com técnicos e cientistas de ponta para avaliar os riscos das usinas de Angra. Algumas pessoas na cidade começam a se incomodar com o silêncio dos políticos. O PT da cidade abraçou o nuclear como se fosse um sonho do próprio Karl Marx. Um dos ex-prefeitos se tornou diretor da Eletronuclear e o atual ministro Luiz Sérgio, também ex-prefeito, tem escrito artigos em defesa dessa matriz.
Precisamos de um entendimento maduro, sem radicalismos, para tornar as usinas de Angra mais seguras. E avaliar com calma como o turismo na região poderia ter sido uma saída econômica mais generosa para a cidade. O turismo continua mas as usinas são um durável obstáculo para que floresça como merecia no trecho talvez mais bonito do litoral brasileiro.
PS: Cerca de 11 horas, horario de Brasília, a Tokio Eletricity Power, Tepco, desmentiu que o nível de contaminação da água estava 10 milhões de vezes acima do normal, conforme afirmou a Agência de Segurança Nuclear do Japão. Mas a Tepco não pode precisar o nível de contaminação.




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