O terremoto no Japão estremeceu também a política na Alemanha. Pela primeira vez na história, o Partido Verde conseguiu o governo de um estado, o rico Baden Wurttemberg, governado pela democracia cristã há 48 anos.
Angela Merkel percebeu que o desastre em Fukushima iria ter repercussões em seu país, onde o movimento contra usinas atômicas é mais popular. Ela resolveu não prolongar a vida das centrais nucleares, além de 2020, anulando uma decisão de seu governo. Mesmo assim perdeu em Baden Wurttemberg onde uma das usinas está localizada. A Alemanha é líder na energia solar e parece que a marcha para adotar esta matriz é irreversível.
Esta repercussão político eleitoral talvez não seja tão importante como a reação cultural japonesa diante do terremoto. Com milhares de pessoas em abrigos, radiação nuclear, infraestrutura de comunicações reduzida, os japoneses decidiram mudar de vida. Há uma grande resistência ao consumo de luxo. Começou no Japão, segundo os correspondentes que vivem lá, uma era de contenção dos consumidores, encerrando a longa fase de exuberância nas compras de bens considerados supérfluos.
Este é apenas um dos impactos. O outro é a evidência da fragilidade da estrutura de comunicação. Quase 1,5 milhão de linhas de celular foram desligadas. Os japoneses que eram dependentes da internet e de todos os meios eletrônicos tiveram que se voltar para jornais e rádios. O pior foi conviver com a dificuldade de comunicação com as pessoas amadas.
Mesmo no Brasil, há alguma repercussão. Depois de tantas denúncias sobre a fragilidade do plano de retirada de Angra, o governo anunciou que vai construir dois piers para que as pessoas possam sair pelo mar. Isto significa também uma certa resignação com a precariedade da BR-101. Ela foi construida há muito tempo, o conhecimento geólogico da região aumentou e o aconselhável seria rever o seu traçado. Nada disso sera feito. Não temos tsunamis, nem terremotos, mas os temporais que caem na região, diante da fragilidade do terreno são muito perigosos.


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