Em três dias de visita aos principais cenários da tragédia na região serrana do Rio, confesso que há dois tipos de tristeza nos ameaçando: uma é consequência do impacto real das chuvas, outra é consequência de nossas dúvidas sobre a resposta adequada. Esta sensação reapareceu ontem, na visita ao Vale do Cuiabá. Cem famílias desabrigadas, algumas na Igreja Metodista. Muitas casas ali não podem ser reconstruídas. A única saída para essas famílias, no momento, é o chamado aluguel social. O valor é de R$ 400 reais. Mesmo se fosse maior, não resolveria, pois não há casas disponíveis.
Temo que aconteça com eles o que aconteceu com muitos. Passada a tragédia, são esquecidos e, quando pedem socorro, transformam-se numa pequena nota de jornal. O impacto econômico sobre a região é muito forte. Friburgo foi atingida no centro e deve perder grande parte de seus visitantes, este ano.
A região do Vale do Cuiabá, em Petrópolis, apresenta esta dificuldade de realocação. Em vários lugares, como Campo do Coelho e Vieira, o processo de reconstrução será caro. Mas o governo pensa assim: vamos gastar R$2 bilhões com a reconstrução, logo o desastre nos custará isto. Acontece que as perdas individuais são incalculáveis. Os carros, por exemplo, darão direito aos seguros?
A paralisação de parte da agricultura pode gerar salários compensatórios? O desemprego pela queda do turismo será atenuado de que maneira? Isso para ficar apenas no desastre que passou. E as providências para o futuro? O que aprendemos, de fato, com mais esta tragédia natural? Aos poucos, vou mencionando as principais propostas que a experiência em desastres indica. Se considerarmos a importância do governo federal, as mudanças deveriam começar de cima. Mais tarde vamos a elas.





7 Comments
[…] Fernando Gabeira, o homem que não era irmão do Henfil, mas também partiu num rabo de foguete, faz uma análise equilibrada, em seu blog, do desastre que aconteceu na região serrana do estado do Rio de Janeiro: […]
[…] This post was mentioned on Twitter by Luisa Pereira and Maria Celina McCall. Maria Celina McCall said: RT @gabeiracombr: Blog do Gabeira: Notas para depois da emergência http://bit.ly/fZsJUb […]
Gabeira,
ainda bem que ainda existem pessoas como vc: lúcido, ponderado, que consegue analisar o sentimento do que realmente deve ser feito, porém sem perder a noção de que não há como separá-los totalmente.
Tivemos a tregédia em Angra dos Reis (dez/2009), depois Niterói e agora na região Serrana esta loucura.
Quem ouviu e/ou leu ficou embasbacada com a declaração do Cabral, ao dizer que sentiu pânico qdo estava indo para Teresópolis (ou Friburgo), que felizmente não havia perdido nenhum familiar, mas que a situação era terrível, colocando a culpa na chuva e nas construções em locais não seguros. Mas mesmo ele não tendo qquer responsabilidade na tragédia, … iria dar o aluguel social e que estava colocando defesa civil, policia, exército, bombeiros, etc, a um custo alto. Certamente não deve ter comparado com a grana altíssima e ilícita q usa em suas campanhas. E mais:
1- Uma ou mil vidas, não tem preço.
2- Será que durante o primeiro mandato como governador e depois (2010) nas andanças durante a campanha, essas contruções ilegais ainda não estavam lá? NÃO. A casa de Tom Jobim (onde passei boa parte de feriadões e férias, por ser amiga dos filhos e sobrinhas, estudavamos no CBA) era uma contrução sólida. Infelizmente a nossa querida Poço Fundo (nome da fazenda, onde inclusive foi esdrita as àguas de março), não tem mais a sede, agora apenas é pau, pedra, fim do caminho, o poço fundo agora é um Pocinho.
É IMORAL., ILEGAL E CRIMONOSO, uma pessoa, um governador que age assim, sempre na base da falcatrua e da hipocrisia.
3- Estamos em estado de emergência, trabalhando para ajudar a quem perdeu tudo, exceto a vida, e esse trabalho tem que ser feito de forma rápida, objetiva e com uma logística bem otimizada. Até o momento foram encontrados em tornno de 700 corpos, e deve ficar claro que, infelizmente a quantidade de pessoas mortas e ainda sotteradas deve dobrar ou triplicar este número.
O momento é de apagar o incêndio, mas sem dúvida, NÃO PODEMOS DEIXAR QUE CAIA NO ESQUECIMENTO, como foi a tragédia de ANGRA, a SITUAÇÃO CAÓTICA e de total abandono que se encontra o JARDIM MARAVILHA, e outros tantos lugares.
Quando a poeira baixar, teremos pela frente não apenas que analisar e recontruir as cidades, mas principalmentne a cabeça das pessoas, mostrar fatos, contra os quais não há argumentos, que um voto vale muito mais que uma cesta básica, uma piscina para a garotada, cursinhos de reciclagem para profesores. Conscientiza-las de que um VOTO vale vidas e vidas NÃO TEM PREÇO.
abraços fraternos,
Gilda – RJ – RJ
A mesma politicagem de sempre.
Exploracao politica POS tragedia.
Vamos ter mais respeito!!!
Cade a competencia da atuacao PRE tragedia???
Nos poupe.
Velho amigo, compactuo sua opinião… infelizmente perdi a casa de uma filha no Vale do Cuiabá. Graças a Deus somente a casa eis que ela está em Portugal… E agora, que fazer??? A casa outrora custou algo em torno de dois milhões… Hoje so nos restou o terreno … mas quem irá comprar alguma coisa ali agora??
Infelizmente nossos governantes não se preocupam com estes tipos de problemas que acarretam catástrofes como esta. Abraços do amigo de sempre.
Realmente e muito dificil analizar este momento,mas que deveria ter um plano para as ações durante o mês de janeiro,pois e o mês que mas chove no Rio de Janeiro,CARO GABEIRA moro na zona oeste Realengo próximo da vila vintém e ninguem lembra das pessoas que moram lá, Domingo dia 16 /01/ 2011 um chuva de 30 minutos fez um grande estrago, são ruas e casas alagadas,a estrada da agua branca que da acesso a padre miguel num carro passava.Assim e muito facíl governar ,agora e só copa do mundo 2014 e olímpiadas 2016.
um grande abraço
digo: nenhum carro passava na estrada da água branca em Realengo e as ruas barão de triunfo e mareachal marciano todas alagadas.
parabéns pela suas palavras.