Esta mudança que a Câmara fez na lei da improbidade administrativa é considerada por muitos um retrocesso no combate à corrupção.
De fato, a questão do nepotismo voltou à cena e isto parecia tranquilo no Brasil, a proibição de contratar parentes no serviço público.
Algumas penas foram reduzidas, outras extintas, as investigações ficaram mais curtas e mais difíceis.
Enfim, isto é o resultado da correlação de forças nesse campo de combate à corrupção. O tema certamente interessa aos deputados do chamado Centrão, mas na verdade ele polariza a maioria. Quando se trata de amenizar a lei contra a corrupção, a vitória é tranquila.
Não sei se estão acompanhando, mas é cinematográfica a caçada que a polícia do DF e de Goiás fazem a Lázaro Barbosa dos Santos. Ele tem 32 anos e é acusado, entre outros crimes, de matar uma família inteira.
Mais de 200 policiais mais helicópteros estão buscando o homem no interior de Goiás.
Ele já fugiu da cadeia por um buraco no teto da cela e dizem que foi pastor.
A foto divulgada pela imprensa mostra um homem com um penteado bastante rebuscado, brinco. Não parece um ex pastor nem parece tanto um criminoso sem piedade.
Se for preso com vida, será interessante conhecer sua história . Uma ex-mulher diz que ele não é tão mau como o pintam e se pudesse ir para o mato ao lado da policia iria convencê-lo a se entregar.
Essas longas caçadas são tema de muitos filmes policiais nos EUA. Realmente é intrigante saber como há uma semana um homem sem apoio logístico, consegue escapar no mato. O governador de Brasília, Ibaneis Rocha, andou reclamando da incapacidade da polícia em encontrá-lo. Mas é um trabalho difícil. Estou acompanhando. Nos filmes americanos, as pessoas deixam pistas, usando cartão de crédito, por exemplo. Mas nesse caso, ele caiu no mato, entrou em cavernas, casas abandonadas. As polícias são urbanas e, certamente, levam alguma desvantagem em buscas como essa.
Impressionante o relato do indiano Om Gauri publicado hoje no New York Times. Ele é editor do jornal Dainik Bhaskar e fala sobre o Rio Ganges na epidemia.
O Ganges, ou Ganga para os indianos, é um rio sagrado. Muitos acreditam que lançando os mortos no rio suas almas são purificadas por ele.
Durante a pandemia, o rio Ganges tornou-se uma testemunha contra a política do Primeiro Ministro Modi. O título do artigo é “O Ganges devolve os mortos”, ele não mente.
Os repórteres do jornal percorreram o curso do Rio e contaram quatro mil mortos boiando ou devolvidos às margens. Esta contagem foi realizada nos meses de abril e maio, já durante a segunda onda.
O problema é que a contagem oficial na Índia registra apenas os mortos em hospitais. E o Ganges conta outra história muito também por causa das chuvas de maio que revolveram suas águas.
Para que se tenha ideia do valor simbólico do Rio Ganges, Modi quando eleito disse que o rio sagrado o estava chamando para cumprir um dever. O autor do artigo conclui que agora o Ganges pede que Modi saia porque falhou em sua política.
Uma história interessante porque embora não tão negacionista como Bolsonaro, Narendra Modi foi tragado pela pandemia.

