Morte interrompe os trabalhos

A morte do médico José Aristodemo Pinotti, um político de alto nível, interrompeu os trabalhos na Câmara. Ele merece a homenagem. Cancelamos a audiência pública que trata do acordo entre o Brasil e a Santa Sé. Este acordo deverá ir ao plenário depois de passar por nossa comissão. Há muita divergência. Os evangélicos reclamam, as feministas reclamam e os especializados em questões trabalhistas também reclamam.

O ponto mais delicado é o que diz respeito ao ensino religioso. Vamos ensinar religião na escola, ou vamos ensinar a história e a sociologia da religião.

No Meio Ambiente, debates sobre a Amazônia, com os atores de sempre. Na porta da comissão, concedi uma entrevista à TV Câmara sobre a proibição da importação de pneus usados e para uma rádio americana falei da Amazônia.

Mas foi manhã de luto, mais do que trabalho.

SAIBA MAIS SOBRE JOSÉ ARISTODEMO PINOTTI

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Zelaya já está de pijamas

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A esta hora do domingo, o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, já está de pijamas na Costa Rica. O golpe que o derrubou teve como objetivo evitar que fizesse um referendo para continuar no poder , depois de janeiro. Mesmo sem apoiar o referendo, vale perguntar se não havia outro caminho para punir o presidente eleito, uma vez que o referendo ainda não havia sido realizado.

Estados Unidos, Brasil e OEA condenaram o golpe militar. Os norte-americanos foram claros ao dizerem que o presidente não era Micheletti (eleito pelo Congresso) mas sim o que foi deposto.

Chávez afirmou que um embaixador da Venezuela foi sequestrado, assim como o representante de Cuba. Prometeu retaliação militar. Será grave a crise a partir de Honduras, embora talvez não tenha o desfecho dramático que Chávez está prevendo.

Foto: dwh90723/Flickr/Creative Commons

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Honduras em transe

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A chapa está fervendo em Honduras. O presidente Manuel Zelaya teria sido preso. Zelaya foi eleito pela direita e agora quer se aproximar da esquerda, com um projeto parecido com o de Chávez. Nesse momento, parece que apenas grupos rivais aparecem nas ruas de Tegucigalpa, sem incidentes sérios. Chávez pediu a intervenção de Obama para salvar seu aliado. O Brasil terá de entrar nessa dança.

Estamos acompanhando o que se passa, através dos informes dos jornais hondurenhos. El Heraldo, conservador, considera que a partida está chegando ao final e que Zelaya não respeitou a Constituição, partindo para o modelo de consultas populares, como Chávez e Morales.

Foto: breve/Flickr/Creative Commons

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Futuro do Senado

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Após os escândalos da passagem, numa entrevista à revista Época, previ que o Congresso caminhava para um grande desastre. De um lado, o avanço inevitável da transparência; de outro um arranjo institucional que não sobrevive a ela. E dirigido por líderes com experiência de imprensa regional, quase sempre de sua propriedade.

A vitória de Sarney, articulada por Renan Calheiros, iria marcar o fim de uma época, na qual, durante alguns anos, eles reinaram. Um velho e experiente funcionário do Senado me diz agora que essa análise é precária. E chama atenção para o que houve no espaço interno, burocrático. No principio, eram 300 funcionários. Abria-se uma sessão à uma da tarde, encerrava-se às duas. E começava uma extraordinária. Todos tinham direito a uma gratificação e subiam  para receber seu dinheiro em espécie.

Este processo dispendioso não foi combatido pelos senadores. Ao longo do tempo, fizeram milhares de novas indicações, assim foi criada uma miríade de novas possibilidades de se aumentar a renda. O que era um sistema de um grupo, virou um processo de massas com 7 mil funcionários, número muito superior às necessidades. Portanto, o problema não são apenas os senadores, ou apenas os funcionários, mas o tipo de aliança que construíram.

Como desatar esse nó, num jogo tenso com tantas denúncias? A transparência em si apenas revela e intensifica a crise. Para que seja vencida, é preciso uma ação articulada, ainda que levada pela minoria. Numa batalha dessa dimensão, quase ninguém sairá ileso. Mas os ferimentos, certamente, vão compensar o serviço que se presta ao país.

A tarefa existe. Não há santos? Que a realizem os pecadores. A história registra vários casos. Daí um discreto otimismo, mesmo com a inferioridade numérica.

Futuro do Senado

Fernando Gabeira

Após os escândalos da passagem, numa entrevista à revista Época, previ que o Congresso caminhava para um grande desastre. De um lado, o avanço inevitável da transparência; de outro um arranjo institucional que não sobrevive a ela. E dirigido por líderes com experiência de imprensa regional, quase sempre de sua propriedade.

A vitória de Sarney, articulada por Renan Calheiros, iria marcar o fim de uma época, na qual, durante alguns anos, eles reinaram. Um velho e experiente funcionário do Senado me diz agora que essa análise é precária. E chama atenção para o que houve no espaço interno, burocrático. No principio, eram 300 funcionários. Abria-se uma sessão à uma da tarde, encerrava-se às duas. E começava uma extraordinária. Todos tinham direito a uma gratificação e subiam para receber seu dinheiro em espécie.

Este processo dispendioso não foi combatido pelos senadores. Ao longo do tempo, fizeram milhares de novas indicações, assim foi criada uma miríade de novas possibilidades de se aumentar a renda. O que era um sistema de um grupo, virou um processo de massas com 7 mil funcionários, número muito superior às necessidades. Portanto, o problema não são apenas os senadores, ou apenas os funcionários, mas o tipo de aliança que construíram.

Como desatar esse nó, num jogo tenso com tantas denúncias? A transparência em si apenas revela e intensifica a crise. Para que seja vencida, é preciso uma ação articulada, ainda que levada pela minoria. Numa batalha dessa dimensão, quase ninguém sairá ileso. Mas os ferimentos, certamente, vão compensar o serviço que se presta ao país.

A tarefa existe. Não há santos? Que a realizem os pecadores. A história registra vários casos. Daí um discreto otimismo, mesmo com a inferioridade numérica.

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Neda, martírio e Islã

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A morte da jovem Neda Agha-Soltan,metralhada pela milícia Basiji, um ramo da Guarda Revolucionária, traz a cena o martírio, algo importante na religião muçulmana, sobretudo entre os xiitas, majoritários no Irã. Os aitolás impediram que ela tivesse um funeral muçulmano. Mas isto não adianta. Ela se tornou um símbolo universal.

Discutimos muito ontem se colocaríamos ou não a imagem de sua morte no ar. Optamos por avisar que eram imagens fortes, mas divulgamos aqui como foi divulgada em toda parte do mundo. A proximidade de um telefone celular revela como a violência do governo iraniano é combatida com meios eletrônicos, uma característica dessa crise.

Segundo a religião, Neda deverá ser lembrada no terceiro, sétimo e quadragésimo dia de sua morte. Estas datas passaram a ser mais uma agenda de lutas para a oposição.

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Crise no Senado

Faz algum tempo que penso em como seria desatado o nó no Senado. A instituição está descendo ladeira abaixo. Os atos secretos significam uma pequena história da troca de favores entre senadores e a direção da casa. Possivelmente, de uma forma ou de outra, muitos estão envolvidos. Daí as notícias de que os senadores contrários aos atos secretos também foram beneficiados por ele.

Dessa maneira, procuram atar o nó, não desatá-lo. As pessoas que estiveram envolvidas podem achar esta prática errada, reconhecer sua participação e partir para a reforma profunda da casa. No momento em que se reconhece, há uma grande reação critica e isto enfraquece a busca da reforma. Os senadores que querem mudar o senado precisam reconhecer o passado e apontar para o futuro.

Ninguém sairá ileso dessa batalha. Mas alguns ferimentos compensam o serviço que prestam ao país.

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Obama sai da toca

Obama, finalmente, condenou a repressão iraniana contra os manifestantes inconformados com o resultado das eleições. Havia uma grande discussão entre democratas. Parte deles achava melhor que o presidente dos EUA não se pronunciasse. O temor era o de prejudicar a oposição, dando aos conservadores o argumento de que a oposição era dirigida pelos Estados Unidos.

O argumento caiu. Obama ainda não fala de fraude, mas reconhece o direito das pessoas se manifestarem sem serem brutalmente espancadas pelos guardas revolucionários e suas facões mais radicais, os basiji.

O Brasil ainda não chegou a este ponto. Mas hoje deu indicações, através de assessores de Lula, que vai refluir para uma posição cautelosa, depois daquelas declarações desastrosas em Genebra. Ótimo. Há sempre tempo para retomar o melhor caminho para nossa política externa.

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Irã após o discurso de Khamenei

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A crise no Irã deve tomar novas formas a partir de agora. O regime liderado pelo Aiatolá Ali Khamenei fala em banho de sangue se as demonstrações continuarem.

Pela manhã no Brasil, as informações sobre nova marcha ainda eram contraditórias. Uma entrevista da ganhadora do Nobel da Paz, a iraniana Shirin Ebadi fala da situação dos direitos humanos, neste momento no Irã. Um artigo de David Brooks, do Nytimes, reproduzido pelo Estadão, afirma que o Irã nunca mais será o mesmo.

Brooks não diz no que o país vai se transformar mas constata que a velocidade dos fatos supera a capacidade dos analistas,que não têm ferramentas para analisar mudanças tão rápidas.
Aqui no Brasil, o discurso de Lula sobre a Amazônia contém muita coisa sensata.

Ele recordou o momento em que era permitido desmatar na Amazônia e lembra que entramos no momento em que é proibido desmatar.

Mas não falou claramente da estrutura de fiscalização que seria necessária para controlar os fatos lá onde acontecem.

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Teerã:+3:30 GMT

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Até agora, não consigo explicar a posição de Lula sobre o Irã. Por que se precipitar e dizer que as manifestações eram brigas de vascaínos contra flamenguistas?

Naquele momento, os principais líderes mundiais sinalizaram preocupação e cautela. As apurações iranianas que levam uma semana para serem tabuladas, foram resolvidas em horas. Em Tabriz, terra de Moussavi, Ahmamenijad ganhou longe, o que não costuma acontecer.

Esses dados já estavam disponíveis. Depois da declaração, vieram outros mais embaraçosos: em mais de 30 cidades, o número de eleitores superou o de inscritos. Em Taft, o número de eleitores, segundo a oposição, elevou-se a 141 por cento: fantasmas.

Não era necessário manifestar simpatia pela oposição. Simplesmente cautela. Tanto o presidente, como o Itamaraty, não receberam bem as críticas sobre a visita de Ahmadinejad. Aproveitaram para dizer que a visita estava de pé. E para mostrar independência em relação a imprensa ocidental. Se ela diz uma coisa, pode ser que esteja acontecendo outra.

O Brasil quer se mostrar pragmático, disposto a tudo por um bom negócio. Mesmo bons negociantes a quem se pede, a todo instante, o sacrifício de princípios, precisam saber se calar.

Não havia grandes mudanças em gestação. No Irã, às vezes, o resultado das urnas pode ser sufocado pela revolução. Mas alinhar-se aos setores mais conservadores, considerar uma luta, que depois resultaria em mortes, como um simples choque de torcidas, é qualquer coisa pra lá de Teerã.

Os iranianos que fazem seu movimento também pela internet sabem que nem todos no Brasil se alinham, nesse caso, com a posição de Lula. Muitos relógios estão sintonizados com a hora de Teerã: +3:30 GMT.

Veja a página especial sobre a crise política no Irã.

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Pra lá de Teerã

As manifestações no Irã continuam ao longo do dia. Tudo indica que a situação não foi resolvida e é preciso cautela, pois a repressão matou sete manifestantes. A investigação prometida não passará da recontagem de alguns votos.

Ancorada na internet (a imprensa estrangeira está sob cerco), a resistência no Irã deve continuar. Obama tem se mostrado cauteloso. Lula, não. Ele afirma que não houve fraudes e compara as manifestações a brigas entre torcedores do Flamengo e do Vasco.

Esta banalização da política acaba se tornando cansativa. O presidente não foi informado de tudo que se passa no Irã, apesar da riqueza de dados na rede. Fomos buscar uma foto no Flickr e surgiram centenas de contribuições dos iranianos.

Uma parte do Brasil não está seguindo o que se passa no mundo. O governo brasileiro, ideologicamente favorável a Ahmadinejad, não percebe o potencial das manifestações em Teerã. Pior para nós.

Acabo de sair de um seminário de relações Brasil-Europa. Pelo Congresso brasileiro falou Mão Santa, representando Sarney. Procurou holandeses na platéia para constatar se conheciam Ruy Barbosa, o Águia de Haia.

Não se pode desanimar. Os ajustes virão com o tempo.

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