Um conjunto de documentos revelados pelo Wikileaks mostram que a embaixada americana em Tóquio já discutia os problemas de segurança dos reatores nuclares japoneses, desde 2008. Os telegramas falam de uma reunião da AIEA, Agência Internacional de Energia Atômica, com as autoridades japonesas, na qual o Japão foi advertido. Em 35 anos, o pais revisou suas normas de segurança apenas três vezes.
A discussão entre a agência internacional e os japoneses também tratou do terremoto de 16 de julho de 2007, de 6,8 na escala Ritcher, que atingiu a maior usina nuclear japonesa, Kushiwakazi Karia. A capacidade de resistência a terremotos estava baixa.
Um grupo de 135 japoneses conseguiu na justiça uma sentença fechando a usina nuclear de Shika também por problemas de segurança.
Essas notícias circulam nos telegramas diplomáticos mas não chegaram ao conhecimento do público. Se chegassem, as chances de aumentar a segurança seriam maiores, por causa da pressão social.
Nesse momento, faço a mim mesmo uma pergunta sobre Fukushima: a que momento será necessário retirar os trabalhadores, porque as possibilidades de esfriar os 1, 2 e 3 e a piscina do 4 são pequenas demais para os riscos vividos?
Esses telegramas do Wikileaks ajudam a esclarecer a divergência entre os americanos e japoneses sobre o que está se passando. O diretor da agência regulatória nuclear dos Estados Unidos, Gregory Jaczko, deu a entender ao Congresso dos EUA, ontem, que a situação é mais grave do que os japoneses admitem. E mencionou claramente que haverá um momento em que ações reparatórias não serão mais eficazes.
O correspondente da Globo, Roberto Kovalick falando já na manhã de quinta feira, de Tóquio, informou que os japoneses iam mandar um caminhão com canhões de água e retomaram também a idéia de um helicóptero para jogar água na piscina do reator 4.
Se considerarmos as declarações do russo Sergei Kiriyenko e Gregory Jaczko veremos que existe uma convergência entre Rússia e Estados Unidos no ceticismo quanto às chances do resfriamento de emergência.
Também o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, Yukyia Amano, declarou hoje que não estava satisfeito com as informações que o governo japonês e a empresa estão passando. Uma insatisfação maior ainda é do governador de Fukushima, que está a 60 quilômetros da usina. Ele pede informações mais diretas.
Finalmente, a declaração do físico Steven Chu, ministro de energia de Obama, me pareceu o limite do que uma autoridade mundial pode dizer nesse momento: houve derretimento parcial nos reatores mas as notícias desencontradas não me permitem especular sobre o que está se passando.


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