No momento em que acontecem tragédias como essa, há vários caminhos a se percorrer. Há o caminho tomado por Chávez que é o de politizar o processo e utilizá-lo para impulsionar o socialismo.Há o caminho australiano no qual o governo indicou um general da região para comandar as obras de socorro e reconstrução e há também a discussão estratégica, sobre como atenuar o impacato dos desastres, através de longos processos de reeestruturação urbana.
Considerando que as chuvas não escolhem culpados para cair e que os projetos estratégicos são tema de discussão permanente, é preciso dar um espaço para o quesito resposta. Está sendo adequada ou não? O que se faz no Brasil em termos de preparação?
A Presidente Dilma Rousseff não quis quantificar a verba de ajuda nem o prazo de recuperação. Foi cautela porque, às vezes, anunciam-se milhões e, depois de alguns meses, aparecem apenas alguns milhares. Por isso, sempre se batalhou por um fundo para desastres naturais. Com as regras estabelecidas, a liberação do dinheiro é automática. É um mecanismo institucional que não precisa depender do presidente, exceto em momentos excepcionais, pois não se podem prever todas as situações numa lei que cria o fundo.
Passei parte da tarde em contato com pilotos de helicóptero para conhecer melhor o trabalho de resgate e obtive informações ainda não confirmadas sobre corpos sepultados em alguns bairros atingidos. Parto pela manhã para dedicar os próximos dias ao tema.
O governador do Rio disse que a remoção das famílias não avança, às vezes, por causa de alguns politicos. E conclui que é preciso coragem. Isso é bom para quem quer manter o prestígio com o eleitorado. Mas além de coragem, é preciso recursos. Existe uma janela para um grande empréstimo no Banco Mundial. Se for aproveitada para aumentar a segurança será fundamental.
Mas é preciso mudar muita coisa. Sempre tivemos um Ministro do Interior do Nordeste. Esta opção se deve às secas que atingem grandes áreas e maltrata pessoas muito indefesas. Acontece que os desastres naturais estão se repetindo nas regiões metropolitanas. Não importa se o ministro é ou não do Nordeste, é preciso que se interesse pelo problema e saiba mobilizar a sociedade.
Esta última questão é vital. Se o governo reconhecer que não responde sozinho pela defesa civil, acaba transferindo poder para as pessoas, para os bairros. O modelo do Caribe, onde os furacões se sucedem, talvez seja o mais adequado. Através de cartilhas e programas informativos, os governos envolvem a população.
Em alguns bairros facilmente alagáveis do Rio, como a comunidade dos Marítimos em São Gonçalo, as pessoas já sabem onde estão os barcos, e o endereço de quem não consegue se mover. Em Sao Francisco de Pádua as chuvas, de repente, levaram o hospital. Foi preciso buscar um a um os dependentes de hemodiálise para transferi-los para uma cidade fronteiriça mineira.
No Rio, certos líderes comunitários já estão recebendo celulares para que sejam avisados de temporais se aproximando. As pessoas com quem falei no bairro de Campo Grande foram dormir sem saber que ia chover forte. É um aprendizado que vale para o futuro. Aliás, Teresópolis tinha um levantamento de risco mas não chegou a extrair as consequências práticas .
Lembro-me, nas muitas vezes em que percorri a região serrana com Luiz Paulo Correa da Rocha em dias ensolarados observando a disposição das casas na encosta. Pensar num grande temporal dava calafrios.
Os avisos não faltaram. Era exatamente isto que pensava ontem, quarta-feira, no vale onde está situada Caracas. Visitei o bairro do Limon, onde cairam várias casas. Em seguida, percorri encostas da monte Ávila, fotogrando a precariedade das casas que restaram. É uma situação idêntica ao que vivi na Serra. Ao desembarcar no Brasil, ouço a noticia da tragédia.



10 Comments
Mano Gabeira, os desastres alimentam o prestigio deste tipo de politicos.
Quando a populaçao eh assolada por calamidades, a autoridade aparece e promete atitudes espetaculosas,
quando deveria explicar pq nao fez obras de estruturaçao urbana para minizar os incidentes ou
transferir os moradores para areas seguras antes que isto ocorresse.
Infelismente nosso povo nao sabe cobrar, apenas agradecer a visitinha da Dilma.
Aí aparece o Cabral com aquela cara de bebe chorão repetindo as mesmas pataquadas de 2006 quando visitou os hospitais estaduais….. e nada foi feito!
É Gabeira mas as autoridades não vêem ou naum querem ver o que está acontecendo para ser fazer algo a longo prazo e não de momento pois, caso o contrario isso infelizmente vai acontecer ano após ano.
Gabeira o povo carioca precisa de você ou pra governador ou prefeito. Espero que eles encherguem isso.
Sr. Gabeira,
A “verdade” é só “uma”, falta preservar o meio ambiente!!! Preservar margem dos rios e córregos, encosta dos morros, etc Falta também plano habitacional desvinculado de eleições e projeto de poder dos partidos, falta vergonha na cara dos políticos, empresários e o povo (que joga lixo nas ruas, não separa o lixo etc) dos políticos que façam o que prometeram, dos empresários que pensem menos no lucro e sim na sociedade, pois como foi mostrado as tragédias não se limitam aos bairros “pobres”, pois mansões foram atingidas.
muda Brasil!!! Sustentabilidade já (meio ambiente, economia e sociedade)!!!
André Stempniak
chega de reportagens Chuva mata, chuva causa tragédia Se não fossem as chuvas não tinha agricultura, energia O clima seria insuportável!!!
meu blog
http://colunajeremias.blogspot.com/
[…] This post was mentioned on Twitter by raphaelfilho, Márcio Ferrazzo and others. Márcio Ferrazzo said: "É um aprendizado que vale o futuro", oportuno "gabeiracombr sobre os desastres e as respostas > http://migre.me/3DLtd […]
Caro Gabeira,
é triste, muito triste, ver mais um Janeiro com mortes de centenas de pessoas devido às chuvas e desabamento de encostas. E ao ouvir o Governador do RJ Sérgio Cabral dizer que os responsáveis pela catrastofe foram as chuvas e as contruções em locais não apropriados é de embrulhar o estômago ao ouvir tamanha hipocrisia. Qquer estudante, mesmo do EF aprende na escola e em casa, que Janeiro é mes de temporal no RJ.
Sendo carioca, tendo sido deputado pelo RJ durante anos, Governador do RJ e lamentavelmente REELEITO, as custas do povo mais carente e ignorante, não tem um plano em ação? Não bastou a catrástrofe, causada pelos mesmos motivos em 31/dez/2009 em ANGRA DOS REIS?? E Niterói?? Uma vez que deixou de ser manchete, foi esquecido: há vários lugares que continuam na mesma situação de abandono.
Temos que Cobrar de Cabral não planos de médio prazo, mas sem dúvida Cabral tem OBRIGAÇÃO, por conhecer bem o RJ e trabalhar como representante do RJ há vários anos, independente de ser Governador ter um plano de emergência, com equipes treinadas e a população bem orientada. É esperar demais de uma pessoa medíocre, sem escrupúlos e hipócrita. Não podemos deixar o RJ nas mãos desse homem.
Foi emocionante a ao mesmo tempo revoltante, ver ontem, ao ir à Hemorio para doar sangue, ver q a quantidade de pessoas q estavam lá para doar, era muito maior do que a capacidade que a Hemorio podia receber.
É apenas mais um desabafo de uma brasileira, carioca e que acompanhou de perto suas caminhadas por todo o Estado do Rio, apontado fatos como esses e outros que como vc mesmo escreveu: ó de pensar dava arrepios. Aconteceram e não continuamos sem nenhuma infra por parte do Estado, nenhum interesse que não seja politico de resolver a situação atual: só se fala em bolsa casa, bolsa familia, e outros apelidos que não levam a nada.
Obrigada Gabeira, por ser como é, e fazer com garra, amor e competência tudo o que se propoe. O RJ E O BRASIL AGRADECEM.
abraços,
Gilda – VoluntaRIOs
Gabeira,
Eu mesma fui vítima das chuvas no Cosme Velho. Qual seria a explicação meteorológica para esta Tromba d’água na região serrana, além do El Ninha, que já existiu antes e não houve uma chuva como esta ( a mais de 50 anos) e do efeito estufa? Será que estaria ocorrendo “algo a mais” que não sabemos? E logo quando do empossamento de Dilma? Isto tudo me soou coincidente de mais…Porque tantas outras chuvas caíam barreiras e não tanto como hoje?
O motivo de escrever agora é porque eu acabei de assistir o programa da Record no ABC paulista onde correm muitos rios margeando as cidades alagadas, e a reportagem se dava ali, e foi comentado que naquela situação daquela região de rios, isto ocorre todos os anos.
Pois bem, me veio então um pensamento esboço, de um projeto que poderia ser feito aquela e outras áreas semelhantes: Se a população uma vez por ano tem que lutar com as casas transbordadas de água…, porque então no trecho principal dos rios que cercam estas áreas não poderia ser feito uma grande obra de engenharia, com estruturas de ferro, móveis até, para cima e para baixo, lembrando a mobilidade das pontes elevadiças, para o escoamento e o seguimentos das águas e desvios das mesmas da cidade por onde margeiam evitando assim o problema? Quando houvesse o elevamento da água isto funcionaria com uma represa?
A chuva ainda não deu trégua, o sol não raiou
As pessoas ainda juntam os cacos do que restou
É preciso força para retomar a vida, o mundo
Depois de se perder quase tudo num segundo
Tragédia natural não é exclusividade, é verdade…
Por que, então, sofremos mais com as tempestades?
Deus é brasileiro, não temos terremotos nem furacão
Mas pecamos no planejamento, vontade e organização
Portugal passou por suplício como o que se apresenta
Em falecimentos, só 10% daqui: pouco mais de quarenta
Na terra que zombamos ter pouca inteligência
Governos dão de goleada quando há urgência
A Austrália, do outro lado, foi ainda mais exemplar
Como mostrou, na TV, um brasileiro que lá foi morar
Eles monitoram o nível dos rios com grande precisão
Por carta, avisaram todos com 24 horas de antecipação
Mas aqui o relevo é outro, uns dirão
Por si só não justifica, não é explicação
Populismo, impregnado, responde por esse mal
Ah, se nossa inteligência fosse a de Portugal…
(http://noticiaemverso.blogspot.com)
Twitter: @noticiaemverso
Nós estamos sempre repisando o discurso da necessária coesão social para o desenvolvimento, mas esta é uma outra situação típica de coesão, como também é a segurança pública etc.
Não estou me referindo à coesão produzida pelo aparelhamento da sociedade civil, mas a a coesão que vem do amplo debate e da participação de todos os atores. Está para além da especialidade ou do papel de cada qual. é eminentemente coletiva.
A outra questão é da própria consciência da prioridade da questão ambiental e do custo político de tomar decisões que nem sempre geram votos. O debate de eleitoral de 2010 mostrou o quanto não há priorização. Os “assuntos importantes” são outros. Infelizmente as mudanças climáticas violentas vieram para ficar, mas só dão ibope no ato da tragédia. Um bom exemplo disto é a matéria publicada hoje pelo Contas Abertas sobre o Centro Nacional de Gerenciamento de Desastres (CENAD).
Gabeira:
S/a tragédia da região serrana: entendo ser um conjunto de coisas, mas parece q pouco se fala de como este povo todo estava naquelas áreas. Todo mundo sabe da prática política no nosso Estado de deixar ou m/m doar encostas em campanhas eleitorais. Tá na hora de identifcar e colocar na mídia “seus coleguinhas” q fazem isto,
Muitos lugares além de impróprios são ilegais de se construir; portanto muita gente sabia o q estava acontecendo e não é de ontem, faz tempo p/número de construções. Quem pertmitiu, e pq tantos políticos permitiram? Vc mesmo pq nunca se posicionou contra?