Começo amanhã a trabalhar uma nova reportagem; a reconstrução da Região Serrana. Até o momento com os dados que tenho, não é possível prever como a serra ficará. A prefeitura de Teresópolis fez um orçamento de R$580 milhões para recuperar a cidade. Outros farão orçamento do mesmo tipo.
O primeiro problema a resolver é definir o tipo de reconstrução. As coisas não podem simplesmente ficar como antes. No post de ontem mencionei equipamentos como o cais de Magé e estradas de ferro que podem ser reconstruídas.
Tentei examinar o reflexo da Copa do Mundo no projeto de reconstrução. Alguém me lembrou que a Copa do Mundo acontece no meio do ano, num momento menos perigoso. Se acontecesse no verão, creio que seria um problema, pois até 2014 não teremos um sistema de defesa civil totalmente montado.
Vou começar pela infraestrutura. Não vi ainda nenhuma imagem das pontes que o Exército vai construir. No meio da semana, os oficiais disseram que era preciso um plano, para não perder eficácia no trabalho. Este é apenas o passo inicial, para romper com o isolamento de algumas comunidades.
Na minha experiência com o desastre em Santa Catarina, o turismo tem um peso na reconstrução. O que foi feito lá? Assim que se avaliou que a situação estava de novo segura, foi articulado um esforço para atrair turistas.
Se houver um enlace entre Copa do Mundo e reconstrução, as cidades serranas podem se beneficiar. Mas no momento, qualquer conclusão é precipitada. Meu roteiro é avaliar a infraestrutura, comercio, indústria, turismo e agricultura.
A agricultura tem uma grande possibilidade. A capital é o segundo mercado do país. E a agricultura atinge apenas 1 por cento do produto. O tipo de agricultura que pode ser desenvolvida aqui é exploração de alguns nichos, como o dos orgânicos, cujo consumo cresce aqui e no mundo.
Há muitas experiências bem sucedidas na agricultura familiar e duas escolas, uma em Pinheiral, outra que está se instalando em Engenheiro Paulo de Frontin.
Tanto no campo da infra como no da agricultura, a necessidade não é só de recompor, mas ampliar e diversificar. E o turismo poderia ser revisto, com base na solidariedade. Sempre vou aos festivais de inverno em Friburgo, onde alguns artistas se apresentam. O próximo precisa ser pensado com este objetivo: dar a volta por cima e transformá-lo num grande evento cultural.
São apenas especulações. Sei que mergulhando na realidade, muitas idéias se corrigem e surgem outras no seu lugar.





4 Comments
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Permita-me colocar algo na reportagem?
Os problemas que estamos vendo surgirem nos brasís das intempéries não pode se limitar às necessidades arrecadatórias dos fluxos turísticos.
Penso que o turismo existe em função de alguma coisa para ser vista, vivida, que valha a pena por algum motivo de crescimento pessoal pelos que se disporão a ver. Não se pode contar com recursos de turismo onde o que existe para ver é sujeira, restos de construções, lama assassina que afogou centenas de pessoas, geralmente humildes que não tinham onde morar e nem para onde fugir.
Urge, Grande Fernando, que nosso povo adquira a consciência da simbiose entre as obras humanas e as necessidades da Natureza. Sem isso, nosso cartão postal para o mundo todo sempre estará mostrando as incúrias dos prebostes de plantão, plantadas sobre visíveis riscos e adubadas com entulhos e corpos sem vida. Intolerável que no Brasil campeão mundial de impostos, campeão mundial de custos da vida política de poucos beneficiados, as soluções se limitem a citações de montantes de recursos que -todos sabemos muito bem, por ser atávismo do nosso povo- serão destinados à correção das tragédias, sem que nunca cheguem de fato até elas.
Tenho comigo imagens brasileiras, geralmente nos costados das grandes cidades para onde acorrem os desesperados da vida, de terrenos que até poderiam ser habitados, não fossem as infraestruturas descuidadas.
Ainda nesta semana pude abrir imagens de outros países, mormente europeus, onde morros e vales profundos abrigam famílias em construções de vários séculos, sem que nunca tivessem tido problemas notáveis de devastação como os que assistimos estarrecidos nas reportagens televisivas.
Sabe o que nos falta de verdade? Pedigree para exigirmos dos políticos aquilo que nos devem pelo muito que recebem sem prestações de serviços.
Um abraço
Prof. Wladir Santos
Adorei ambas as postagens até agora: a do nosso Fernando Gabeira, um dos grandes políticos da nossa atualidade, e a postagem do sempre querido cronista, jornalista, artista plástico e escritor Prof. Wladir Santos.
Quem conhece a ambos, como eu, sabe que são pessoas cônscias das suas palavras sempre carregadas de objetividade e beleza literária. Esse depoimento do Mestre é uma peça de grande valor para que se percebam, nos mais recônditos rincões da Pátria, que é urgente a retomada do nosso perfil de cidadania, se um dia quizermos ver nosso povo sendo observado com a seriedade e a cultura que todos gostaríamos.
Parabéns Mestre Wladir, pelas suas palavras, como sempre bonitas.
Ruth
Santos lamenta que Europa como .Estados Unidos se haya olvidado de Latinoameric….. Vai ficar Natal e Ano Novo em Londres?.Saiba como aproveitar o melhor!!!..