O que fazer após uma tragédia como essa? Algumas pessoas me perguntaram isto na porta da escola Tasso da Silveira, em Realengo. Outras perguntaram se era possível evitar. É cedo para responder a tudo, por duas razões entre outras: o momento é de emoção e solidariedade com as famílias. E faltam dados essenciais. Como tirar conclusões antes de obter esses dados?
As informações foram surgindo ao longo do dia e várias vezes foi preciso buscar alguma coerência. Falaram em dois revólveres 38 nas mãos de Welington Meneses de Oliveira. No final da tarde, eram um 38 e um 32 mas foi mantida a versão do fast jet, o dispositivo que apressa o carregamento das armas.
Falou-se em AIDS e não havia nenhuma menção a isto. A referência ao islamismo não se sustentou com o texto integral da carta mencionando Jesus. Não se pesquisou a atividade de Welington na internet. Seu computador apareceu queimado na casa de Sepetiba.
Quando voltei para casa, vi entrevistas de psiquiatras afirmando que era esquizofrênico, assim como sua mãe biólogica. A irmã numa entrevista ao Jornal Nacional afirma que a mãe biólogica de Wellington tinha problemas mentais e tentou o suicídio mas isso não configura esquizofrênia.
Muitos dados dependem da polícia, sobretudo os que se referem à origem das armas, das balas e do dispositivo para carregar os revólveres com rapidez.
O que posso dizer nesse momento é que as seguranças das escolas no Rio devem melhorar. Nenhuma novidade, pois disse isso muitas vêzes o ano passado, percorrendo escolas em área de risco. Um menino morreu com bala perdida e algumas escolas eram assaltadas com frequência.
A escola Tasso da Silveira tinha câmeras internas, um dispositivo importante. Mesmo se houvesse um porteiro ou um segurança na entrada, Welington teria acesso. O colégio comemora 40 anos e tem recebido visitas de ex-alunos. Um detetor de metal talvez o denunciasse. Mas compensa dotar as escolas de detetores de metal se é preciso investir em outros pontos, inclusive em dispositivos mais simples de segurança?
Uma leitora escreve da Alemanha, lembrando que os alemães tem um comportamento planejado para e as escolas são treinadas para essas circunstâncias. Talvez essa idéia mereça uma adaptação às nossas características. Aqui, os grandes temporais às vezes obrigam a retiradas dramáticas. Às vezes um grupo de bandidos pode invadir uma escola, fugindo da polícia. E há ainda algo que não se registra em muitos países: a bala perdida, que na verdade é uma vida perdida.
Mas esse debate só terá um sentido maior quando todos os dados disponíveis estiverem à disposição. No Jornal Nacional, o assassino aparece, numa animação, imberbe, usando uma camiseta colada no corpo. A informação que tive era de que usava uma espécie de jaqueta ou que pelo menos tinha os braços cobertos. Creio que a câmera da escola confirma a camisa de magas compridas. A foto do morto, pelo ângulo, mostra uma barba da costeleta. Pode ser o ângulo, pode ser a luz. A carta falando de impureza e castidade fortalece essa hipótese de estar com uma roupa escura, de mangas compridas. Não sabemos ainda nem como estava vestido, nem analisamos a carta com a profundidade necessária. Além da dor da tragédia é doloroso também conhecer os detalhes. No entanto, esta fase de apuração não pode ser suprimida com propostas de gaveta..



10 Comments
Vejo que a imprensa, políticos e poderes da mídia não querem admitir, estão abafando essa clara realidade: O ATENTADO TEVE MOTIVAÇÃO RELIGIOSA. Foi puro ódio e intolerância religiosa, pois poupou um aluno religioso e matou aqueles que ele julgava “impuros”, principalmente meninas. Portanto, uma das medidas que devem ser tomadas é o controle e monitoração daquilo que é pregado por religiosos. Não é só islamismo, vemos aqui que os cristãos também tem o mesmo potencial de fanatismo, ódio e intolerância.
Outro ponto importante, além do fundamento religioso desse ataque, é a questão do direito dos animais. Pela carta deixada, o atirador diz gostar de animais. Ao mesmo tempo, trabalhou numa fabrica de salsichas. Para uma pessoa portadora de fanatismo religioso, tendencia genetica para a doença mental, mais a fragilidade psicologica de ter perdido os pais, trabalhar numa fabrica de salsichas, vendo todo o horror e nojeira inflingido contra os animais, isso pode ter criado conflito e revolta severa. Sabe-se que pessoas que trabalham em matadouros são desensibilizadas em relação a morte. Essa desensibilização somada ao fanatismo religioso, doença mental, revolta e conflito lógico, isso pode ter tido uma influencia decisiva nessa tragédia.
O Derrotado de Realengo – http://youtu.be/ElFP4t9Wqcw
E digo mais: muitos jornais, inclusive o JN insinuou o mesmo, est˜åo dizendo que o terrorista era “fundamentalista Islamico”. Mas a verdade é que ele era TESTEMUNHA DE JEOVA. E agora, diante desse terrorismo FUNDAMENTALISTA CRISTAO, o que vão dizer? Nada! Estão é censurando e abafando essa realidade.
Gostaria de conhecer seu histórico escolar.
Mas apesar dos dipositivos e treinamentos nas escolas da Alermanha, não podemos esquecer que houve tb semelhante tragédia na escola de Winnenden, em Baden-Würtemberg, um dos Estados mais ricos da Alemanha, uma pacata cidade onde a violência é poraticamente zero.
A DEMOLIÇÃO DOS SONHOS
Não costumo comentar casos específicos de violência.
Entretanto, a notícia das mortes na escola Tasso da Silveira, na manhã de hoje, em Realengo, RJ, requer considerações.
Eu irei pautá-las por meio de três institutos que se relacionam:
1) A Família;
2) O Estado;
3) A Fatalidade.
A FAMÍLIA
O que faz um jovem de seus vinte e poucos anos sair de casa armado, como se fosse à guerrilha, atirar em crianças indefesas?
Alguns especialistas levantam a tese do transtorno de personalidade, onde a pessoa já nasce com o problema. Potenciais assassinos em massa.
Conhecidos nos EEUU por mass murders, tais assassinos, geralmente, são indivíduos entre 20 e 30 anos, solitários, que não conseguem emprego, com poucos amigos e mínimos laços com a família.
Laços com a família…
Atualmente, não temos “tempo” para ela. Não vemos nossos filhos crescendo. Muitas contas para serem pagas. Muito trabalho. Enfim, não dá tempo.
Contudo os pais podem, sim, verificar um comportamento estranho do filho. Claro que vão cuidar dele. Ou pelo menos tentar. Até porque, se forem pessoas humildes não vão conseguir vaga no psiquiatra do posto de saúde, apesar de dormirem na fila desde a madrugada. Aí é que entra o Estado…
O ESTADO
Não tem vaga no posto de saúde. O que fazer? Perguntam-se os pais. Vamos rezar…
Realmente, é o que resta.
Num sistema de saúde caótico, onde nossos governantes insistem em dizer que não há recursos. Onde paradoxalmente, o próprio ministro admite a ineficiência de gestão (com rios de dinheiro escorrendo pelos ralos – ou bolsos?). Onde propostas de “modernização da saúde” terceirizam os serviços pagando 3 ou 4 vezes mais para este profissional, enquanto o servidor público concursado (pasmem: trabalhando no MESMO local que o “terceirizado”) contempla, aterrorizado, seu descrédito pela autoridade governamental e permanece na estaca zero. Onde não se valorizam os minuciosos Planos Contingenciais (linhas de ação para minimização de catástrofes ou grandes emergências) realizados, notadamente pelos Corpos de Bombeiros, que talvez sejam um peso na memória de algum já esquecido computador da alta cúpula.
Neste último item, pôde se perceber os flagrantes: desespero e despreparo e falta de equipamentos nos grandes hospitais do Rio de Janeiro. Obviamente que a gravidade dos ferimentos, no caso em tela, complica a redução da mortalidade. Mas é algo que deveria, sim, já estar mais do que planejado: deveria estar funcionando.
Isso poderia explicar a intensa e suspeita preocupação das autoridades em exaltar (teimosamente, a todo o instante) a ação do policial (logicamente, não desmerecendo sua ação). Este policial, provavelmente, será promovido por bravura e ganhará uma medalha. Suas péssimas condições de trabalho e seu pífio salário permanecerão se esforçando na busca de uma mínima/digna condição de vida…
E se o filho deste policial apresentar transtorno de personalidade? Será que ele vai conseguir uma vaga no posto de saúde?
A FATALIDADE
Caros convivas. Creio que me equivoquei quanto à classificação da fatalidade como instituto. Já penso que ela, na conturbada relação ESTADO x FAMÍLIA, nem mesmo é fatalidade.
Vai ver esta nossa fatalidade carioca tem transtorno de personalidade…
Num texto, não há como fazer um minuto de silêncio.
Portanto sugiro, a cada um de nós, termos tempo para abraçar e beijar nossos filhos, sobrinhos, pais e amigos.
Constituir e fazer valer mais a família, por meio do AMOR, este infinitamente maior que o estado.
MARCOS PAULO RODRIGUES MONTENEGRO
http://www.povolitica.blogspot.com
gostei do seu comentário, Marcus Paulo – equilibrado ,sereno e objetivo. é o que precisamos nesse momento… parabéns (se é que esse momento é de se dar parabéns para qualquer coisa relacionada a esa tragédia absurda…
[…] Polícia ainda busca os fatos da tragédia […]
Tudo se esclarece se analisarmos o estágio de desenvolvimento da nossa sociedade. Estamos no meio do caminho ainda e falta muito a percorrer. Educação, transporte, saúde com problemas sérios.