Conseguimos avançar no ensino, mas ainda estamos em 53º lugar numa lista de 65 países. Nosso avanço maior se deu em leitura; nosso maior atraso, como sempre, se registra em matemática.
Isso sempre me intrigou no Brasil. Quando estudante, organizei protestos contra o professor de matemática. Até hoje estou em dúvida se fui justo. Não sei se era um professor medíocre ou estava escondendo do protesto minha própria incapacidade.
Recentemente, resolvi estudar a história da matemática, numa dessas férias de verão. Fiquei fascinado e, pensando restospectivamente, imaginei: se soubesse de tudo o que estou lendo agora, talvez fosse um melhor aluno de matemática.
O ensino brasileiro tem uma série de problemas, merece um debate amplo. Mas o caso da matemática é tão urgente que precisa ser examinado na frente. Por que não avançamos em matemática, não valeria a pena uma campanha nacional para mostrar a importância dessa matéria no nosso futuro?
Leitura avançada significa algo animador para todos. No meu caso pessoal, apenas confirmou um destino que não deveria ser imutável. Por que os problemas com leitura desaparecem e continuamos péssimos em matemática?
Nossas deficiências têm um peso, mas é necessário também olhar especificamente a formação dos professores de matemática, monitorar suas aulas, estimular seu crescimento. Sem isso, entregues ao nosso simples impulso autodidático, continuaremos sabendo apenas que dois e dois são quatro, e olhe lá.



6 Comments
[…] This post was mentioned on Twitter by 阿尔曼多·梅西亚特 -AMF-, Doug Mota, Leonardo Paes Mamoni, Lamis., Cicero Moro and others. Cicero Moro said: muito interessante: Blog do Gabeira: O drama do ensino brasileiro http://bit.ly/fRBkyN […]
O que creio ocorrer é aquilo que todo professor de ensino público repete anos após ano: “Os alunos fingem aprender, nós fingimos ensinar e o Estado finge pagar.”
Num país onde a educação não a educação não é o carro frente do governo não vejo uma previsão próxima de mudança. Devemos nos inspirar em ações privadas que leval educação de qualidade, ou de profissionais que mesmo inseridos em um sistema de abandono teimam em apresentar para os jovens brasileiros uma chance de aprendizado sério e de um futuro melhor.
A única coisa que muda um país é a sua própria cultura, um povo organizado e que tenha em mente como melhorar e o desejo de melhorar é o caminho da esperança. Mas será que temos como realizar essa mudança na mentalidade do povo brasileiro? Será que o “jeitinho brasileiro” está enraizado tão profundamente que teremos que lutar anos e anos para ver pequenas melhorias sendo realizadas?
Espero, sinceramente, que não, já que me esforço para buscar um país melhor, como muitos outros brasileiros anônimos por Brasil afora.
Tudo caminha, lenta e gradualmente.
Eu abandonei minha primeira graduação, em Engenharia, no início do segundo ano. Não consegui entrar num acordo sustentável com a integral e a derivada… Poucas semanas depois, encontro um amigo de infância que estudava engenharia numa universidade de ponta, na capital. Conversando sobre os estudos, contei meu drama e decepção. Ele me contou sobre o início do cálculo integral e seus desdobramentos (complicações, que sejam!), falou da época história dos matemáticos envolvidos no desenvolvimento do cálculo… fiquei babaaaaaaaaaaaaaaando de êxtase por conhecer a história, de forma tão gostosa, com um amigão contando e eu ouvindo como se estivesse ouvindo um conto de Grimm… Só consegui falar: “por que minha professora não me contou isso???” Com certeza minha história profissional seria diferente, ou mais excitante ainda!
Resumindo: de fato precisamos de professores melhores, mais bem informados, envolvidos com a disciplina e suas nuances… Afinal, num país grande e bobo em que se discute qual nomenclatura dar-se-á ao professor – educador (???), e não discute a metodologia adequada, didáticas ideiais… Realmente corremos o risco de cair de 53o. pra lá do fundo do poço!!!
Como assim? Nunca antes na história desse país a pesquisa em matemática esteve tão fértil quanto agora.
GABEIRA TEM TODA RAZÃO E PRECISAMOS ENCONTRAR UMA SOLUÇÃO. Ela existe basta procurarmos.
Há 26 anos, sou professora de matemática (E APAIXONADA POR MATAMÉTICA) de uma Universidade pública, sendo consirerada uma das melhores Unversidades do RJ: os professores entram via concurso público e um dos pré-requisitos é ser Doutor.
No incio da faculdade, dava aula particular para 2 sobrinhos que estavam sempre prestes a ficar em recuperação ,ou mesmo serem reprovados, em física e matemática.
Um era da 7a. série e ou outro 1 ano do 2 grau (com era chamado na época ) hoje 8 ano fundamental e 1 ano do ensino médio.
Um fato q CONSTATEI de cara, principalmente ao ENSINAR Física, (cujo meu conhecimento ainda era mesmo do dele, ou seja, o q eu havia apredido no 2 grau (pois a fisica da faculdade não tinha qquer ligação c/ os tópicos q estava estudando,
Foi qdo PERCEBI q apesar de nunca ter tido problemas com física ao longo de toda a minha vida acadêmica, eu NÃO CONHECIA FÍSICA, NÃO SABIA FÍSICA, meu conhecimento limitava-se a RESOLVER, COM FACILIDADE, PROBLEMAS de FÍSICA., nada mais q isso.
Certamente eu já tinha um embasamento e uma maturidade acadêmica bem maior q a deles e por MILHARES DE VEZES constatei que APRENDI E APREENDI Fisica: no momento em que estava explicando os PORQUÊS, pois até então, nem eu e muito menos eles, haviamos parado para pensar, e tentar ENTENDER.
Falei de uma experiência pessoal, só apreendi MESMO quanto fui ensinar.
Como jádizia Beto Guedes, “A liçãoi já sabemos de cor, só nos resta aprender!
Escrevi muito e nem toque em matemática, mas postarei ASAP, algo sobre a matemática e a forma como a ensinam.
Tenho q sair agora. Abraçoes e até breve!
Gilda – RJ