Num encontro com intelectuais em Havana, Fidel Castro pediu que salvem o mundo. Novidade, porque no passado a salvadora do mundo era a classe operária. Fidel mencionou os temas de sempre, mas tem um mérito de tocar num ponto que a própria Dilma deveria levar em conta: a alta do preço dos alimentos.
É um fenômeno global e teve grande repercussão nas revoltas. Aliás a confiança do mundo globalizado de comprar o que falta em outros lugares, enfraqueceu a velha política de plantar e armazenar para tempos de crise.
Dilma deveria se interessar pelo assunto porque tem como estratégia a redução da pobreza. A FAO, por seu turno, afirma que o aumento do preço dos alimentos pode arrastar milhões de pessoas para a pobreza. Em outras palavras, a sorte da redução da pobreza não depende apenas de políticas assistenciais mas do aumento da produtividade na agricultura.
O que está acontecendo? Vivemos sobre o impacto de La Niña e isso tem um grande peso. China e Rússia viveram grandes secas, a Austrália grandes inundações. O Brasil sofreu menos, embora a agricultura de regiões como a serrana do Rio tenha sido atingida. O pais produz e exporta alimentos e, certamente, vai se beneficiar do aumento de preços. Mas vento que venta lá, venta cá. O aumento acaba repercutindo internamente.
Além dos problemas climáticos, alguns produtos como o milho sofrem com a reorientação de seu uso, na produção do etanol. Diante dos grandes termas internacionais, políticos podem achar prosaico um debate sobre aumento de preços de alimentos. Mas ele toca diretamente na qualidade de vida das pessoas mais pobres.
Como o Brasil produz e existe no ar essa dúvida sobre as conseqüências do aumento de preço dos alimentos, seria interessante promover um debate com pessoas que entendem. Quando se lê um artigo sob a ótica de quem produz grãos e carne, o enriquecimento da China e o aumento do consumo por lá é visto como fator favorável. E de fato é. Mas a sorte não é a mesma para quem apenas compra alimentos.
No caso do Egito, o governo tinha uma grande dificuldade em manter os subsídios que garantiam o arroz pela metade do preço. Na Venezuela, Chávez terá de desembolsar US$40 bilhões para importar tudo o que precisa. Se deixar de subsidiar a alimentação, um dos pilares de seu regime cai por terra.
E como estamos num mundo interligado, a alta dos alimentos é uma grande questão política que pode significar não apenas o desconforto e miséria dos mais pobres mas a ruína de muitos governos.


2 Comments
Prezado Gabeira,
Hoje, dia 17 de fevereiro é seu aniversário.
Segundo meus cálculos – e a boa memória não me deixa falhar – são 70 anos.
E como de hábito, venho lhe desejar PARABÉNS!!!
Tudo de bom, muita saúde, paz e tranquilidade.
Um abraço fraterno,
EDUARDO COELHO
Caro Eduardo. Agradeço sua lembrança. Um grande abraço.