Um estudo feito nos Estados Unidos, depois do episódio de Columbine, dentro de um projeto intitulado Iniciativa por Escolas Seguras, indicou que os assassinos do tipo de Welington Meneses costumam dar alguns avisos antes de realizar o crime. O estudo acentua também que, na maioria, são pessoas que viveram uma grande perda e não conseguem suportá-la.
O estudo adverte que não adiantam processos estatísticos para prevenir um crime dessa natureza. Nada mais importante entretanto do que a iniciativa do governo norte-americano constitutindo um grupo para estudar o Colombine e outros casos do gênero.
Reforça um pouco o que disse: é necessário conhecer para apresentar propostas. No caso brasileiro, ao que me consta, não foi constituído um grupo para examinar o massacre em Realengo. Uma iniciativa desse tipo poderia ser mais eficaz do que as lamentações que se fazem na tribuna.
Não se trata, como no caso americano, onde havia material para estudos comparativos, de fazer mais um estudo sobre o perfil dos assassinos. Seria um exame específico do caso, com o objetivo de responder a esta pergunta: apesar de inevitável, é possível fazer alguma coisa para reduzir seu impacto sangrento?
Minha resposta é positiva num ponto: reduzir o tempo de chegada do socorro policial. Outro aspecto que pode ajudar, a exemplo do que acontece na Alemanha, é treinar as escolas para circunstâncias difíceis como essa.
As possibilidades de redução do tempo de chegada da policia existem e os meios tecnológicos para isso também estão disponíveis. Uma boa pergunta para a comissão examinar seria esta: se não houvesse casualmente uma patrulha perto da escola, realizando inspeções de trânsito, quanto tempo levaria para chegar o socorro?
Um grupo de deputados foi ao local, soube depois que sai de lá. A pior alternativa é encerrar o trabalho apenas com a presença protocolar e a solidariedade às famílias. Um estudo detalhado do caso de Realengo pode contribuir para reduzir o impacto. Por que não tentá-lo? A expressão inevitável é correta mas não pode inibir a iniciativa de quem quer enfrentar o inevitável. As manifestações pedindo paz ajudam a processar o trauma da perda dos adolescentes, mas não bastam. Será preciso fazer alguma coisa, na direção certa.
A resposta do governo é reviver o projeto de proibição de venda de armas. Acontece que isto já foi vivido e a maioria da população optou pelo direito de comprar armas, num plebiscito nacional. Há vários caminhos para se interpretar o assassinato em Realengo. Um é seguir o caminho da Escócia e usar o choque emocional para se buscar a proibição das armas. Outro é aumentar o controle das armas clandestinas, reduzir a criminalidade, com o objetivo de convencer aos indivíduos que a atmosfera está ficando menos ameaçadora. Só quando isso acontecer, vai se entender a verdadeira causa da vitória do não naquele plebiscito: as pessoas têm medo de se desarmar, cercadas de assaltantes armados.
As condições iriam melhorar se os governos trabalhassem a lei existente. Numa reportagem em Cali, observei várias batidas policiais em busca de armas clandestinas. Não só recolhiam muitos exemplares, como enviavam um sinal de que era mais perigoso andar nas ruas com armas não registradas.
O sucesso dessa operação, um controle maior de fronteiras e uma articulação internacional com alguns centros de venda de armas ilegais poderiam, progressivamente, convencer as pessoas de que não é necessário se armar, mesmo com a existência de um comércio legal de armas.
Não existe solução mágica e sem políticas convincentes a pura reprodução do debate feito no plebiscito pode desembocar num impasse desgastante.
A responsabilidade nacional de controlar as armas ilegais deveria ser a trilha para completar aquelas observações que fiz acima sobre a preparação da policia e das escolas, para encurtar o tempo de socorro.
Lembro-me que, durante o plebiscito, era usado um argumento estatístico demonstrando que as pessoas que portam armas estão sujeitas ao perigo maior que as desarmadas. No entanto, a maioria preferiu manter o direito de comprar armas. Sinal de que não acreditou nas estatísticas.
O caminho para se chegar a uma sociedade sem armas à venda é muito longo. Ou nasce de uma evolução de resultados concretos na política de segurança, ou depende apenas de fatos emocionais. Mas fatos emocionais são um boomerang. Podem se voltar contra os que se orientam apenas por eles.



7 Comments
Administrar com medicamentos seja intervençao psiquiátrica e, ou açao segurnaça pública carece que se capacite as pessoas a este ponto. Voto obrigatório nao é democracia.. Curso para os que se elegem .. educaçao para os cidadaos.. moral e cívica .. principalmente, antes do domínio do conhecimento e do ganho financeiro.
O caso tem que ser muito bem estudado e encontrar soluções q, se não evitarem, pelo menos dificultem ações como a q ocorreu em Realengo: Fato. Mas não creio q poderemos importar soluções, não podemos comparar escolas públiucas, policiais e nivel de professores daqui com o dos USA, Canadá, Alemanhã, etc.. São culturas diferentes, comportamentos diferentes e, infelizmente, as leis mesmo q existam não são cumpridas. Foi muito bom ter tocado no ponto do desarmanento que está em voga novamente. Como foi dito,,já tivemos um referendo e a população disse NÃO AO DESARMAMENTO.
Portar arma é uma coisa, ter arma em casa é outra. Tenho duas, sei usá-las e jamais as entregaria a qquer orgão, mesmo à Policia Federal. Um dos principais motivos q as tenho e usei, é a demora entre chamar a policia e ela chegar, se chegar. Dois homens arrombando a porta de minha casa, fiz barulho acendi luzes p/ ostrar q haviua gente e ekles na maior tranquilidade continuavam o trabalho. Telefonei para a policia e 15 minutios e nada. Não tive outra opção a não ser atirar (pela fresta da varanda do 2 andar) dois tiros disparados de 38 Thaurus, e sairam correndo deixando tudo em minha porta . Qdo a policia chegou (chamei novamente relatando o ocorrido) havia uma mochila com armas, munição, alicates de mola e alguns celulares. Em casa estávamos apenas eu e minha caçula, na época, com 8 anos de idade.
Desculpe, saí do assunto, mas apenas para deixar claro o porque de ser 100% contra do DESARMAMENTO.
Escreverei depois com mais foco no asssunto.
abraços,
Gilda – RJ
Caro deputado acho que estou delirando, mas fica aqui uma sugestão: O governo deveria implantar um programa nas escolas (particulares e publicas) de Saúde Mental. Trabalhando as crianças desde o maternal até a faculdade. Psicólogos, Psiicomotristas, Arteterapeutas, Psicopedagogos, Psiquiatras, Fonoaudiólogose etc …full time. Uma equipe multidiciplinar atuando, acompanhando, observando, orientando um a um, dando ferramentas a estas crianças e a sua familia para que possam se tornar seres humanos mais equilibrados no presente e no futuro, proporcionando bem estar emocional e saúde mental em todos os niveis. Sei que será dificil, pois nem professsores com salários dignos e condições de trabalho existem, mas fica aqui uma idéia. Abraços
AQUI NO BRASIL , A VIOLENCIA COMEÇA PELO “BULLING”.
VI NA TV , UMA MENINA DEFORMADA POR ACHAREM ELA BONITA E ” PATRICINHA” FOI VÍTIMA DO “BULLING, AO SER ATINGIDA NA FACE C/ ÁCIDO. HOJE ESTA MENINA TEM A SINDROME DO PÂNICO E SEU ROSTO ANTES PERFEITO , AGORA DEFORMADO.!
ISSO ACONTECEU NA PORTA DA ESCOLA…
O resultado do “Não” no plebiscito por indicar muitas coisas diferentes, como outras pesquisas constataram na época. Optou-se pelo “Não” por muitas razões diferentes; “Diga Não” tem um apelo muito atraente para as pessoas. “O governo quer impor alguma coisa a você [como o próprio referendo, que foi tratado por muitos como uma “imposição”, não um direito de manifestação!] – diga não”; “Proteste contra a corrupção, a ineficiência da polícia, o monopólio da segurança pelo governo – diga não”; “Isso é tudo um golpe para que apenas o governo tenha armas – na Alemanha de Hitler foi assim – Diga Não!”. Não foi só por não acreditarem em estatísticas, ou por realmente, conscientemente, defenderem que é melhor manter o comércio de armas legalizado (uma opinião a ser respeitada, naturalmente). Foi muito por desinformação, revolta, desinteresse, tudo misturado. Acho bom voltar a discutir o assunto, além de insistir no óbvio: existe o comércio legal e o comércio ilegal de armas; o segundo existe e funciona com imensa facilidade e prosperidade. VAMOS COMBATÊ-LO DE VERDADE! Será possível que é tão difícil conter o tráfico de MUNIÇÕES, por exemplo?? Elas não são fabricadas em fundo de quintal, plantadas no meio do mato, processadas em laboratórios domésticos. Que diabo, não há modo de controlar a circulação da munição por aí??
Com as informações vindo a tona, vejo que o único caminho para evitar esse tipo de problema é tratar a sociedade doente que produz esses atiradores. Bullying, competição, fanatismo religioso, trafico de armas, crueldade contra animais… Tudo isso vem da sociedade, são coisas que nasceram muito antes do atirador
E esse negócio de colocar psicologos e psiquiatras nas escolas é algo muito perigoso. Se temos uma sociedade doente, esses profissionais só poderão adaptar as crianças a isso. Como acontece nos EUA, psicologos e psiquiatras nas escolas podem diagnosticar “problemas mentais” e até drogar criança que na verdade são inteligentes e questionadoras, aquelas que não aceitam e não se adaptam as podridões da sociedade. Isso inclusive pode criar problemas ainda piores, visto que os EUAm que tem psicologos e psiquiatras nas escolas, é o recordista nesse tipo de ataques.