O Jornal Nacional mostrou a retirada do lixo excedente de Fernando de Noronha. Foi uma operação cara: R$2,2 milhões.
A partir de agora, para normalizar a retirada do lixo, Pernambuco terá gastar R$90 mil por mês.
Como solução emergencial é correta. Mas é pouco sustentável. O Governo pretende fazer também uma campanha para reduzir a produção de lixo.
A pequena usina de reciclagem na ilha só consegue processsar uma reduzida parte dos resíduos.
O ideal era reciclar na própria ilha e construir uma pequena usina de energia com o material descartado.
Não vejo como uma solução do problema na própria ilha pode comprometer a imagem de um lugar tão bonito.
Se o lixo é produzido em Fernando de Noronha o ideal é que se resolva ali mesmo. Quando não se resolve, ele vai para algum outro lugar e com ele vão os problemas de sua destinação em aterros sanitários já saturados de Pernambuco.
Quem visitou o lixão de Muribeca, em Jaboatão, como fiz, não pode deixar de examinar o processo no conjunto. Aquilo já passou dos limites.
Não tem sentido se produzir tanto lixo num paraíso para agravar mais ainda a situação de áreas degradadas onde mora muita gente.
A saída emergencial foi necessária, assim como o transporte do excedente nos próximos meses. Mas uma solução sustentável precisa ser buscada.
Para começar, a coleta seletiva do lixo, a disposição dos containers nos pontos mais frequentados deveria ser implementada com rapidez.
Isto tornará mais fácil o projeto futuro e, no momento, tem também a vantagem de abrir fontes de renda.
Pequenas empresas poderiam surgir, como já existem, nas áreas metropolitanas.
Até hoje, os investimentos dos pequenos empresários foram voltados para o turismo: pousadas, restaurantes, mergulho.
Espero que o Secretário de Meio de Ambiente de Pernambuco, Sérgio Xavier, caro amigo, leia essas linhas e encaminhe uma saída.
Não sera dificil convencer o governador Eduardo Campos que sua imagem nacional depende também da maneira como cuida de Fernando de Noronha.
Nesse ano de Rio+20, será mais fácil atrair o interesse do governo federal e até de grandes empresas para um projeto com esse objetivo.
Houve um momento que propus, através de emenda constitucional, a volta de Noronha para as mãos do governo brasileiro.
Hoje, creio que isto talvez seja secundário desde que haja cooperação entre os dois. O fato de estar nas mãos de Pernambuco não significa que o tema seja discutido só em esfera local. Gerir um patrimônio da humanidade é algo muito sério que diz respeito também à reputação nacional.
A ilha sempre teve muitos ratos. No passado, creio que os franceses chegaram a chamá-la de Ilha dos Ratos.
Esta propensão continua a existir até hoje. Fotografei muitos no meu caminho. O acúmulo de muito lixo, numa área onde ratos sempre existiram, potencializa grandes problemas ambientais.
Torço para que os deputados de Pernambuco também se interessem pelo assunto. Mas por via das dúvidas, vou fazer um apelo a eles.
Vamos buscar uma saída sustentável para Noronha?




2 Comments
Respondendo sua pergunta, pois de fato não é uma pergunta retórica, vamos sim buscar uma saída sustentável para Noronha! O Arquipélago merece uma solução compatível com toda sua beleza natural. O Brasil merece!
Caro Fernando Gabeira,
Concordando com suas preocupações e propostas, informo que estamos construindo saídas sustentáveis para Fernando de Noronha. Em paralelo à retirada do lixo acumulado ( http://glo.bo/xflfBu ), implantaremos a coleta seletiva. A estrutura pública já está apta, dependemos agora da participação da comunidade na separação do seu próprio lixo.
Interagimos com representantes dos moradores e nos próximos dias realizaremos trabalho de educação ambiental, buscando práticas colaborativas. O Plano já está concluído e muitas pessoas estão receptivas.
Também estamos testando uma nova tecnologia de geração de energia a partir da queima do lixo, com filtros que reduzem a emissão de gases. A idéia é fazer uma gestão inteligente dos resíduos: consumo consciente, coleta seletiva, geração de energia com o material inservível e envio ao continente da parte reciclável, otimizando as viagens dos barcos que voltam da ilha sem carga.
Sobre o antigo “lixão da Muribeca”, informo que foi fechado e está recebendo tratamento técnico para se adequar aos requisitos mínimos de aterro sanitário. Os catadores foram incorporados a programas sociais, com capacitação e inserção em novos processos de coleta seletiva em Jaboatão e Recife.
Fernando de Noronha merece uma visão estratégica que enxergue além do lixo e da exploração turística. Assim, estamos implantando o projeto Noronha+20, construído de forma participativa, envolvendo Governo do Estado, Governo Federal e a população local.
Além do aprimoramento da gestão de processos (públicos e privados), observando os limites da ilha, destacamos alguns eixos inovadores, que visam tornar Fernando de Noronha uma referência em sustentabilidade:
1) Busca da auto-suficiência energética a partir de fontes renováveis (solar e eólica), com instalação de usinas solares, aerogeradores e gestão energética em ‘smart grid’, com medidores inteligentes que vão possibilitar a microgeração nas residências e empresas locais. A distribuição de energia será bidirecional, em rede ecoeficiente.
2) Troca dos veículos convencionais (cerca de 800 que hoje dependem de combustíveis importados do continente) por veículos elétricos, alimentados em fontes renováveis. Uma fábrica de carros elétricos já formalizou proposta para se instalar em Pernambuco. Já estamos testando um carro 100% elétrico na ilha.
3) Pólo de demonstração de tecnologias e processos sustentáveis (com versão digital na internet), integrado a evento anual sobre economia verde e implantação de centro de pesquisa e incubadora de empreendimentos focados em soluções e produtos sustentáveis. Criação de um novo tipo de turismo e publicidade que possa atrair pesquisadores, empreendedores e ecoinvestidores, agregando valor em períodos de baixa estação.
4) Plano de desenvolvimento econômico considerando os limites da ilha, servindo de modelo para o continente (garantir emprego, visitação e máxima qualidade de vida sem depender do velho modelo de crescimento ilimitado). Noronha precisa ser exemplo de sustentabilidade em pesca, agricultura, ecoturismo, esportes naturais, gestão pública, energia, água, resíduos e cultura colaborativa.
Contamos muito com você nesta construção.
Abraço,
Sérgio Xavier
Secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco