É preciso voltar à história do meio ingresso para jovens, de 15 a 29 anos. É uma dessas generosidades que a política faz em ano pré eleitoral, sem que as consequências sejam discutidas.
Com 29 anos a pessoa já é adulta e possivelmente trabalhe para ganhar seu sustento. Comecei a fazer isto com 17 e a continuo até hoje.
Quando um grupo de teatro, que tem enormes dificuldades para colocar sua peça em cena, protesta contra o meio ingresso, os apelos caem no vazio.
Aliás, não foram poucos os diretores e atores que pediram o fim do meio ingresso, na esperança de melhorar sua dramática situação financeira.
Quando se trata da FIFA, o governo é obrigado a rever a concessão. Não pode ameaçar os lucros da entidade que são produzidos, principalmente, durante a Copa do Mundo.
Nada mais injusto. A proposta do Estatuto da Juventude vale para o frágil sistema de diversão no Brasil e é suspenso para a Copa do Mundo, período em que a poderosa FIFA, muitas vezes acusada de corrupção, vai faturar mihões de dólares.
Acabar com o meio ingresso agora, por causa da FIFA, é inoportuno, embora o tema possa ser discutido adiante.
Aceitar o meio ingresso para jovens de 15 a 29 anos pode ameaçar a estabilidade da indústria de espetáculos no Brasil.
Uma terceira hipótese é deixar a discussão do tema para os estados em que haverá jogos da Copa. Cada estado brasileiro teria sua definição.
Mas é evidente que esse conflito agora tem um fundo eleitoral. Aos deputados interessa votar algo que agrade à juventude. Ao governo interessa fazer algo que agrade à FIFA, pois a Copa é uma alavanca eleitoral para os altos dirigentes.
A saída proposta pelo prefeito Eduardo Paes contempla as duas partes. O meio ingresso continua de pé na Copa, valorizando a decisão dos deputados e o governo federal paga a conta, garantindo os lucros da FIFA.
E nós? Como sempre, pagamos a conta.



5 Comments
Caro Gabeira,
Quem mais reclama do meio ingresso são os artistas notórios. Estes que já são subsidiados pelo dinheiro público, vindo dos nossos impostos, principalmente da classe média, que é a única que paga impostos neste país. Subsídios como da Eletrobrás. Qual o interesse da Eletrobrás em divulgar a sua marca? Ganhar da concorrência? Ah fala sério!
Aumentar o ingresso vai restringir ainda mais o acesso da população a cultura, que em nosso país, assim como a educação consegue a proeza de piorar a cada ano.
Devemos nos lembrar que a partir da massificação do meio ingresso, todos os produtores DOBRARAM os valores dos ingressos. Isso aconteceu há uns 10 anos atrás.
Eu não uso carteira de estudante, mas eu acho que as pessoas devem sim usar, pois a classe média é quem banca a maioria dessas produções.
Além de eleitoreira, a lei do meio ingresso tem um forte componente ideológico que se manifesta pelo horror ao lucro associado a eventos culturais. Parece pecaminoso que alguém consiga viver e, quem sabe, ser bem sucedido através de sua produção artística.
Peças de teatro, shows de música e outros tipos de eventos lutam arduamente para existir no Brasil, buscando formas (frequentemente honestas e/ou abdicando do financiamento público – eu associo as duas coisas) e uma lei como essa pode se converter em mais um obstáculo.
Imagine, qualquer pessoa que produz algum bem ou serviço, que uma lei o obrigasse a vender esse bem ou serviço pela metade do preço a pessoas entre 15 e 29 anos? O primeiro reflexo, claro, é dobrar o seu preço. Ou falir. Azar de quem tiver 30 anos ou mais. Vai pagar a conta.
O único benefício que eu vejo nessa lei é trazer a discussão à tona. Chega de meio ingresso para estudantes. Estudar, no Brasil, já é um priviilégio.
Dexemos o mercado regular esses preços.
Legal, irei pagar por ingressos mesmo se eu não for assistir jogo algum! Tá mais do que na hora da gente acabar com todas essas políticas populistas. A copa veio para nos mostrar como é que a banda toca! E, Paes… Com todo o respeito: VÁ A MERDA!
Se analisarmos bem, a raiz de todo o problema da meia entrada, está na Fraude, na Corrupção e na Impunidade: os justos pagando pelos pecadores.
Os grupos de TEATRO fizeram um movimento pelo fim da meia entrada, pelo fato de todos, ou 99% das pessoas, portarem carteiras de estudantes FALSAS e com isso, por melhor que fosse o espetáculo, tendo casa lotada em todas as sessões, teriam prejuízo. E como não se pode trabalhar já sabendo diante mão q o prejuizo é certo, os artistas viram a necessidade de lutar pelo fim da meia entrada para sobreviverem mas infelizmente, os verdadeirtos estudantes teriam que pagar o pato pelo marmanjos farsantes.
Na ocasião sugeri q as pessoas q apresentassem carteira de estudante falsa, deveriam ser presas em flagrante e levadas p/ a delegacia por falsidade ideológica e/ou fraude. Certamente no início isso criaria um tumulto danado na porta dos teatros mas com o tempo as pessoas iriam pensar MIL VEZES vezes antes de forjar uma carteira para pagar meias entrada: o Custo/Benefício seria altamente desfavorável para os pilantras.
Mas ao que parece o problema foi esquecido, ignorado , não teve o apoio que precisava e merecia ter, afinal TEATRO é entretenimento e cultura, mas o Brasil é pais do Samba e do Futebol, nada mais que isso…
Com a Copa em 2014, o problema da meia entrada se tornou algo sério, um problemão que precisa ser pensado, analisado e resolvido sem que cause danos politicos e financeiros como bem enfatizou Gabeira.
Não estamos falando de ATORES mas sim da FIFA e muito menos de ENTRADAS mas sim de VOTO$.
A proposta de Eduardo Paes é indecente, mas coerente com todo o seu mandato como Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro, baseado na corrupção, na mentira, na tramoia, na covardia: não fosse ele cria de Sérgio Cabral, o governador mais corrupto, covarde e mau carater que Rio de janeiro já teve…
Vejo uma quarta hipótese como solução: como ninguém sabe, até agora o preço dos ingressos, é bem provável que dobrem o seu valor (garantindo a satisfação da FIFA) e anunciem que teremos meia entrada (para fortelecer a política e garantir podre poder dos governantes, cartolas e laranjas.
Soluçao simples, imoral, hipócrita, mas que agradará a gregos e troianos, já que não foi divulgado o valor dos ingressos, todos ficarão felizes, até mesmo a população que pensará estar pagando meio ingresso.
Uma meia verdade é uma mentira inteira… e isso valerá para o preço dos ingressos.
Simples e repugnante.
Gilda – RJ