Por R$ 4,50 só se tiver show do Roberto Carlos – dizia um cartaz na manifestação contra o aumento das barcas que começou a vigorar no fim de semana.
O preço anterior era de R$ 2,80. Os aumentos nos transportes coletivos não são isolados. O Rio de Janeiro continua lindo, mas está cada vez mais caro.
A explosão dos preços se deu mais visivelmente nos imóveis. O metro quadrado na Zona Sul, sobretudo na orla, está custando R$30 mil. Alguns especialistas consideram esses preços insanos, temem a existência de uma bolha como a registrada nos Estados Unidos.
Os preços nos transportes ainda dependem um pouco do governo. Nos imóveis, seguem a lei do mercado sobre a qual os governantes não têm tanta influência. Os especuladores e as multinacionais são os únicos que estão conseguindo suportar o aumento porque têm mais bala que o comprador comum.
No aumento dos preços, dois fatores preocupam. O primeiro deles é a capacidade dos cariocas, dentro do salário médio nacional, de prosseguirem sua vida, normalmente. Muitos podem ser forçados a mudar de bairro e padrão de consumo.
O segundo fator é de ordem turística. Interessa ao Rio ganhar fama mundial de cidade cara? O presidente da Embratur, Flávio Dino, declarou que este é o grande problema a ser evitado não só no Rio, mas em todo o pais.
A proximidade de grandes eventos traz uma euforia que impulsiona os preços. Mas o mundo não está nadando em dinheiro.
Ao mesmo tempo em que os preços vão às alturas, no quesito saúde pública, o Rio classificou-se em último lugar entre as capitais do Brasil. A avaliação foi feita pelo próprio Ministério.
Para quem entrou em hospitais sem ser convidado e viu a superlotação das emergências e falta de médicos, o resultado que nos colocou na lanterna não é surpresa.
A surpresa é ver o tema ser denunciado pelo governo federal e não pelos usuários. É um mistério que só se explica pelo fato de os formadores de opinião não usarem hospitais públicos.
Já os pobres, são tão massacrados pela publicidade positiva que, às vezes, não acreditam nas falhas que estão diante dos seus olhos.
No Rio tudo é maravilhoso. Se ainda não é, vai ficar. Esta forte imagem publicitária protege os governantes. Em outros lugares, eles só mudam sob forte pressão pública.
Aqui pode ser que a tolerância popular e empatia da imprensa com os eleitos se transformem em combustível da mudança. Já que os líderes não são criticados, quem sabe decidem fazer alguma coisa, apenas por se sentirem amados?
Publicado no Jornal Metro em 05/03/2012



4 Comments
Gabeira, porque você nao vai apoiar o Marcelo Freixo? Ele é a única pessoa (já que você não vai concorrer) que pode mudar o marasmo que está esta cidade se encontra.
Gostaria de perguntar, também, o que você acha da derrubada da Perimetral.
Grande abraço
Marcelo
Estamos discutindo o assunto no PV e vou esperar um pouco. Quanto à Perimetral, embora traga ganhos estéticos sua remoção, parece-me uma obra faraônica. Imagine o prejuizo social não computado nos custos. Vai atrasar a vida de muita gente durante muito tempo.
abs
Fernando Gabeira
E que tal remover o trambolho e instalar o escritório do secretário de transportes na região da perimetral enquanto durarem as obras?
Gabeira, você me deixou profundamente decepcionado. Sem querer ser melancólico, mas já o sendo, o que você fez com o imenso (IMENSO) eleitorado que ganhou desde as últimas eleições foi traição. A nossa tarefa é votar, como cidadão de bem, nos políticos de bem. Mas para isso, meu caro Gabeira, é preciso que os políticos de bem se candidatem. Decepcionei-me com sua falta de “peito” (desculpe-me a expressão) dentro do PV e com sua falta de vontade em tirar aquele fantoche que ocupa o digníssimo cargo de Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro e que só pensa em tornar o Rio numa cidade cada vez mais cara. O que eu sinto, como seu eleitor, é um misto de decepção com descrença.
Caio.