Os guaranis-caiuás de Mato Grosso do Sul voltam à cena. O Globo de hoje divulga material, de Paulo Yafusso, afirmando que na reserva de Dourados há mais assassinatos, proporcionalmente, que no Iraque.
No Iraque, as estatísticas são constantemente turbinadas por atentados terroristas. Os guaranis-caiuás estão sendo assassinados individualmente.
Os números apresentados: 145 assassinatos por cem mil pessoas, na Reserva Indígena de Dourados, contra 93 no Iraque. A média nacional brasileira é 24,5 homicídios por 100 mil pessoas.
Esses números são projeções mas partem de base real: 55 por cento dos homicídios de índios no Brasil foram registrados no Mato Grosso do Sul.
A primeira vez que fui à reserva, estávamos preocupados com o alto número de suicídios. Chegando lá, constatamos também o crescimento do alcoolismo. A idéia de confinar 15 mil índios em 3,3 mil hectares produz inúmeros problemas.
Aos problemas de convivência, somam-se os da corrupção das autoridades. As crianças guarani-cauiá estavam morrendo de desnutrição, enquanto o dinheiro era canalizado para campanhas políticas.
Lembro-me da passagem pela aldeia, onde fiz um ensaio fotográfico sobre eles. Usava ainda equipamento analógico e uma pequena câmera digital recém chegada.
Tudo o que pude fazer, além das denúncias, foi, junto com um deputado da região, Geraldo Resende, levanter o dinheiro para construir um estádio de esportes. Era um paliativo para a pressão especial que viviam.
Aproveitando o feriado, mostro algumas das faces dos guaranis de Dourados, na esperança de que novas iniciativas possam deter o processo de extinção.




2 Comments
Enquanto em toda a Amarica do Sul os indigenas estão ganhando espaço, no Brasil eles estão sendo um povo em extinção, e depois o Brasil acha que pode representar a America Latina na ONU. Até quando esse povo que deveria ser muito bem tratado por ser os primeiros povos daqui, continuarão a ser dizimados? É revoltante. Se pede desculpas a Africa pela escravidão e se matam os indios, que contradição.
Estamos com o olhar tão fixo num modelo de desenvolvimento que coisas desse gênero só tendem a aumentar… Li o livro “Ecologia, Capital e Cultura” de Enrique Leff, o qual retrata bem uma condição similar… Assassinamos nossas raízes, nossa própria cultura, tendo por consequencia um futuro vazio. Que história o Brasil vai contar quando for um país desenvolvido? Crescemos, mas apagamos toda a historia que ficou no caminho…