Quando lemos que a Cabeça do Cachorro é uma região com 200 mil km2, duas fronteiras, 23 etnias, onde se falam quatro línguas, pensamos: o Exército cuida.
De fato, com a ajuda da Aeronáutica, o Exército percorre os rios com as Embarcacões Patrulhas de Grupo, conhecidas como voadeiras, e mantém sete postos avançados na fronteira.
Dentro dos seus limites, compartilha a energia dos postos com as comunidades e, no campo da saúde, administra um hospital em São Gabriel que é limpo, eficaz e bem equipado.
No entanto, faltam clínico geral e especialista, o que, numa cidade 40 mil habitantes, traz a necessidade de remoção aérea para Manaus. Quem paga os R$30 mil do avião?
A Prefeitura vive uma inadimplência radical. Dizem na cidade que a própria empresa Tanaka, que faz a linha de barco Manaus, não lhe dá crédito par ir, pessoalmente, à capital.
O Distrito Sanitário Indígena, que hoje é da Funai, não tem dinheiro. Seus funcionários fizeram greve por três meses. O máximo que conseguem é computar mortes e nascimentos.
A ausência do governo faz com que as tensões comunitários se concentrem no Exército. É um pouco parecido com as favelas do Rio, ocupadas pelas UPPs.
A diferença, nos sete postos avançados, é que os militares levam suas famílias. Mas quando o rio baixa e há dificuldades de energia, eles são apontados como os responsáveis pelo racionamento.
São Gabriel tem apenas dois agentes da Polícia Federal. Possivelmente, o Plano Estratégico das Fronteiras vai ampliar o número. Mas até o momento não saiu do papel.
Comparando fronteiras e favelas, a solução brasileira revela que o dinheiro mal dá para a segurança. O resto? A segurança que se vire.



5 Comments
ñ tem jeito dr. seria melhor como a suíça ñ acha?
PROBLEMAS
NESSE MOMENTO DE INSPIRAÇÃO.VEJO
A TERRA COMO UM BREJO,AO QUAL,HOMENS
LUTAM POR UM OBJETIVO SEM SENTIDO.
PROBLEMAS ABRANJEM A MINHA CABEÇA,
MAS, EU NÃO ESTOU AQUI,ESTOU VOANDO,NAS
ALTURAS, COM DEUS,COMIGO MESMO,NA
CERTEZA DE UM FUTURO MELHOR.CALMA,
AMOR,PAZ E AMIZADE. NUVENS,CÉU LIMPO,
SEM POLUIÇÃO, SEM AVIÃO.
ESTOU EM UMA MONTANHA,NA QUAL VEJO
TUDO, SOU SUPERIOR E SINTO A NATUREZA,EM
SEU CLÍMAX DE EXPLENDOR E BELEZA INFINITA.
ESSA TODA DIVINDADE AO QUAL O HOMEM
PODE RECEBER .O SONHO ACABA QUANDO VÊ
O MUNDO SE RESUME EM PROBLEMAS GERADOS
POR HOMENS E NADA MAIS .
Pois é Fernando, uma pena. Que bom que estas constatando e nos informando de mais este descaso. Mostra a cara deste Brasil escondido. Abraço .
PS- Pelo andar da carruagem logo logo as favelas de Fernando de Noronha farão parte do roteiro de visitas do arquipélago.
Abraço
Ike
Gabeira, conhecendo um pouco da sua vida, a geração que viveu a ditadura, se tivesse o acesso as armas que foram encontradas na mão desta garotada hoje, a historia do Brasil seria outra?? Teríamos promovido a mudança, e teríamos “escola- estudo”, teríamos ” saúde-hospitais” para o povo?? ou seria a mesma mentira de hoje???
Oi Gabeira, tive a oportunidade de conhecê-lo durante sua visita a São Gabriel.
O DSEI- Distrito Sanitário Especial Indígena não é vinculado à FUNAI, mas à SESAI, Secretaria Especial de Saúde Indígena.
De fato faltam médicos no hospital, que embora gerido pelo Exército, é estadual e não recebe recursos suficientes. Entre outros problemas, existe a prioridade irrestrita para oficiais na emergência, enquanto a população civil, majoritariamente composta por indígenas, muitas vezes permanece na fila por muitas horas com problemas de saúde muito mais graves.
Quanto ao território, é mesmo muito extenso e de fato carece de maior fiscalização e segurança, mas nem toda a área situa-se dentro da faixa de fronteira (fora desta o Exército não tem poder de polícia), e vale lembrar que a relação das comunidades indígenas (sim, praticamente toda a cabeça do cachorro é Terra Indígena) com o Exército não é exatamente fácil e politicamente pacífica.
No mais, torço para que volte à região com mais tempo e tenha a oportunidade de conhecer melhor as comunidades, como vivem, os problemas que enfrentam e a grande riqueza cultural existente na região dos rios Uaupés, Tiquié, Papuri… Um abraço!