Os índices do IDH publicados esta semana revelam uma situação do aparentemente contraditória. Somos o 84º em IDH, mas nossos índices de felicidade estão próximos dos países ricos.
De um modo geral, os países mais desenvolvidos são mais contentes. Há uma grande convergência. Mas não há coincidência entre satisfação e desenvolvimento.
O Butão, um pequeno pais no Himalaia, espremido entre China e e Índia resolveu em 1972 abandonar o IDH expresso no produto nacional bruto e se fixou na felicidade nacional bruta.
Aparentemente foi uma tirada poética do novo rei Jigme Wanchuk. Mas o tema acabou ganhando o mundo e inspirando novas pesquisas sobre felicidade. Algumas delas são analisadas no livro A Política da Felicidade, de Derek Bok, que foi presidente de Harvard.
O Butão partiu de quatro princípios gerais: governança e democracia, desenvolvimento econômico estável, proteção do meio ambiente e preservação da cultura.
Alem disso, criou 72 indicadores para realizar suas pesquisas. Os avanços nos últimos anos foram acentuados: em duas décadas, a expectativa de vida subiu de 43 para 62 anos e a mortalidade infantil caiu de 163 por 100 mil nascimentos para 45 por 100 mil.
Nos últimos anos, inspirados pela experiência do pequeno pais, inúmeros pesquisadores foram às ruas trabalhar com o tema. É claro que antes disso tiveram de travar uma longa discussão sobre o que é felicidade.
Dentro dos critérios do Butão, por exemplo, um dos elementos importantes na governança alem do grau de democracia é o controle da corrupção.
Se deixarmos, de repente o IDH, e partirmos para a o índice geral de felicidade, ocupamos melhores posições, mas ainda vamos esbarrar em problemas como o revelados pela pesquisa divulgada hoje: o Brasil é o 47º no ranking da liberdade de imprensa. O registro é da pesquisa Gallup que envolveu 112 países.
Dados como o tipo de tratamento que o governo dá ao tema da doença mental, o esforço do país para reduzir dores crônicas foram alinhados por Derek Bo para indicar que é possível fazer políticas par ampliar a felicidade nacional bruta.
O Brasil não precisa fazer o mesmo que o Butão, mudando seus critérios. Mas seria o tema de uma boa pesquisa avaliar quais são os fatores que fazem dos brasileiros um povo tão feliz quando os mais desenvolvidos. E o que fazer para preservar e avançar esses e novos motivos de felicidade na vida nacional.



3 Comments
Acabar com a corrupção já seria meio caminho andado para mudar muita coisa em nosso país. Não precisa criar índice para acabar com a corrupção. Mas isso, infelizmente, não virá da maioria de nossos políticos, mas, sim, do povo.
Educação. Só a educação fará a diferença. Mas, a educação básica. A básica. Aquela que se aprende quando pequeno. Não essa farsa que se criou no Brasil de lula e sarney, que fincaram faculdades em qualquer lugar, esquecendo do básico. Da educação básica.
Não temos investimento suficiente na educação. Pobres e negros terão sempre passe livre pra fazer samba, rap, jogar bola… Não concorrem ao saber nas universidades. Sem participação na vida politica, na ciencia, tecnologia. Um povo feliz por natureza; sim. Mas talvez usado demais no papel de bobo da corte.
Governantes que nos desconsideram como cidadãos. Muito impenhados em aparecer fazendo bonito pro resto do mundo , investindo milhões para a bela fachada de recepção nos Jogos Olympicos, Copa… e enquanto isso, esse monstro de sete cabeças, a hidroeletrica de Belo Monte se implanta em pleno coração do Brasil, na Amazonia, devastando, inundando, desalojando, humilhando esse povo. Porque nossa raiz esta la. Nossa lingua, nossa cultura pré- colonização. Lastima. Não da pra ser feliz….